Não sei fazer amigos

Elenco de Friends

Estou para completar três anos das decisões mais importantes da minha vida. Saí da casa dos meus pais, deixei a religião que comportava todos os meus amigos, comecei a namorar, e mudei de cidade.

A premiada com este cidadão ilustre foi Americana, onde tento fazer amigos há dois anos. Eis os principais obstáculos:

  • Eu já não tenho a disposição que tive para investir nos outros;
  • A pandemia;
  • Morar numa cidade não hospitaleira.

Os colegas que se interessaram pela minha adaptação à cidade me ouviram contar como tem sido difícil fazer amigos. Todos se identificaram. Disseram que isso não acontece só com forasteiros, e que eles mesmos acham o povo daqui fechado. Maravilha.

Todo gay novo acha que sair do armário é receber o acolhimento da comunidade LGBTQIA+. (Primeiro, ser odiado por um monte de gente; depois, ser acolhido.) Mas eu e outros gays podemos garantir que isso é um mito. Viados parecem mágicos de vez em quando, mas podem perfeitamente se comportar como qualquer outro ser humano, e deixar os novatos se virando sozinhos.

Sim, com a pouca energia que me resta para fazer amigos, conheci vários coleguinhas do arco-íris, em pessoa ou pela internet. Mas nossos relacionamentos são quase sempre uma troca de curtidas no Instagram e nada mais.

Fazer amigos só é fácil antes dos seis anos ou coisa assim, quando a gente não precisa explicar o que é amizade nem tem muitas expectativas sobre as pessoas. Depois que conceituamos amizade, complicamos a criação de novos amigos.

O que significa “amizade”? Tenho a impressão de que todo mundo acha que a resposta é óbvia. Mas, se você perguntar por aí, vai ter as respostas mais variadas.

Decepcionado inúmeras vezes com ex-migos, cheguei a fazer essa pergunta para amigos potenciais, numa fase da minha vida. Nunca ouvi uma definição repetida. E nunca encontrei alguém que conceituasse amizade do mesmo modo que eu. (O que é absurdo, porque a minha opção, obviamente, é a mais lógica.)

A busca frustrada dos últimos anos (para ser sincero, de uma vida inteira), me levou a reavaliar o significado de amizade. Reconheci que eu tinha uma visão bem fechada do assunto. Esse novo posicionamento ainda não me ajudou a fazer nenhum amigo, mas pelo menos me trouxe dois benefícios. Primeiro, não sofrer demais pelos amigos que foram embora. Segundo, ser mais realista sobre os colegas que não se tornam amigos. Entender que isso não os torna terríveis. Menos bacanas que eu, com certeza, mas não terríveis.

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