Um resumo sobre os meus piores anos

Se você me acompanha, já deve saber do seguinte: 2016 e 2017 foram os anos mais difíceis da minha vida. Um longo período em que me senti desamparado e sem esperança. Foi quando me tornei ansioso e depressivo. Queria que minha vida terminasse.

Eu sei. Sombrio. Mas não vou ficar de choramingos.

Quando vejo fotos ou vídeos dessa época, os sentimentos mais profundos de vazio ecoam em mim. E recordo que eu não me dava conta da gravidade da minha situação. Os sentimentos que reemergem quando lembro desse período são super pesados, e eu percebo que não poderia viver com eles. Ninguém deveria.

Mas outra coisa que me ocorre é quanto estou melhor hoje. Ainda luto com a ansiedade, e ainda tenho dias bem cinzas. Mas nada a se comparar com aquela época. Hoje estou feliz de novo.

Aqueles foram os anos da desilusão. Já 2018, foi para sarar. Me permiti jogar fora o que um dia foi um tesouro, mas já não tinha valor ou sentido para mim. Tudo o que havia criado o inferno dos meses anteriores. Fiz terapia, o que me trouxe a recuperação emocional de três anos em um. (Recomendo.) Foi o ano da desconstrução.

A Teoria da Dinâmica em Espiral explica que, quando passamos de um estágio do desenvolvimento da nossa consciência para outro, o que devemos fazer não é descartar tudo o que tinha importância até o momento. Isso nem é possível. O que se faz é transcender e incluir. Você supera valores que enxerga que podem ser melhorados e inclui, no seu novo estágio, o que aprendeu em fases anteriores e ainda é saudável.

Seria fácil dizer que é melhor andar que engatinhar. Mas também seria simplista. Depende da fase da vida. Para um bebê, engatinhar não é só importante, como indispensável para que caminhar seja possível mais tarde. De certa maneira, todos nós superamos a necessidade de engatinhar, mas só desfilamos por aí hoje porque antes aprendemos a nos mover de quatro. E ainda sabemos fazer isso caso seja necessário em algum momento. Para interagir com uma criança que só sabe engatinhar, por exemplo.

É a vida. Conforme crescemos, aprendemos a demonizar menos o passado e a pessoa que fomos, as escolhas que fizemos, e a dor que nos causaram. Passamos a repetir “Não me arrependo de nada, porque meus erros também me trouxeram até aqui e minhas dores formaram a pessoa que hoje me orgulho de ser”. E isso deixa de ser só uma frase bonitinha na legenda do Instagram.

Ainda tenho muita coisa a desconstruir. E estou aceitando que sempre terei. Porque a rejeição do crescimento e da mudança tornam sua ocasião e inevitabilidade mais dolorosas do que precisam ser. Aceitar o momento em que estamos e que ele não durará não é desesperança nem relaxo. É maduro. É abandonar a obsessão pelo controle, que é um valor inatingível. É ser humilde frente ao universo, ensinando ao ego que nada gira em torno dele, e que será melhor usar o desconforto para evoluir do que esperar que todas as forças cósmicas trabalhem pelo seu sossego. Até porque repouso é gostoso, mas não é evolução.

Tudo isso é para dizer que você deve ouvir seu coração. Deve respeitar sua dor ainda que todos tentem calá-la. Você deve levar sua saúde mental a sério. Você tem permissão para deixar tudo que já cansou e cuidar de si mesmo. Saiba que todas as coisas vão dar um jeito de se encaixar sem a sua ajuda. E, quanto ao tempo que você sente que perdeu ou que roubaram de você, a gente não está numa corrida e nenhum tempo é desperdiçado de verdade. Acredite: se isso não faz sentido agora, fará no futuro.

Todo esse sofrimento que enfrentei foi a porta para a fase em que estou hoje: a mais saudável da minha vida, que eu sei que antecede uma próxima ainda melhor. Sua dor é válida, mas seu sofrimento pode ser superado. Você consegue. Não vai durar para sempre. Continue corajoso.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s