Minhas primeiras crises de ansiedade

Vocês já sabem que sofro de ansiedade. Não costumo contar minha experiência com isso em detalhes, mas venho me sentindo cada vez mais compelido nesse sentido.

Não era assim

Eu sempre fui o calmo da família. Quem conviveu comigo até meus vinte e cinco anos, mais ou menos, jamais me descreveria como um cara ansioso.

Eu vivia dizendo às pessoas em casa e aos meus amigos que preocupar-se era uma escolha. Que você podia escolher não se precipitar. Na época, eu realmente me sentia capacitado nesse sentido.

Pensar a longo prazo não faz parte da minha personalidade, e eu não entendia pessoas que viviam com a mente no futuro. Eu achava que ansiedade era o que você tinha quando ocupava sua imaginação com os piores cenários possíveis por pura questão de hábito.

Depois dos 25

Em 2011, eu estava num instituto bíblico, onde passei cinco meses. Minha ansiedade já dava sinais, mas eu não sabia reconhecê-los. Achava que eram parte da minha espiritualidade.

Na época, eu vivia numa autocobrança debilitante, ruminando o passado, e com mania de perfeição. Eu não sabia como os outros alunos do instituto podiam receber o mesmo ensino que eu e não se martirizar da mesma forma. Eu me arrastava e chorava muito, sempre me autodepreciando como um pecador que precisava de mudanças. Foram meses angustiantes. Olhando em retrospecto, pode ser que eu também tenha perdido alguns sinais de depressão.

As pessoas mais próximas de mim diziam que eu pegava muito pesado comigo mesmo. Mas dez anos atrás não se falava tanto de ansiedade como hoje, e ninguém percebia meus sintomas.

A fase definitiva

O ano mais difícil da minha vida não foi 2020. Em 2016 e 2017, eu passei muitas madrugadas sofrendo sozinho sem ninguém saber.

Eu fui desistindo de todas as minhas amizades e de todas as minhas funções na igreja. Quando todo mundo dormia em casa, eu pegava o carro e dirigia sem rumo. Ou para algum lugar alto e silencioso onde eu pudesse orar.

Ficava nessa por duas, três, quatro horas. Chorava à exaustão. Voltava para a cama com o sol despontando e o espírito dormente.

Nessa época, num momento em que eu não me sentia especialmente triste ou tenso, lembro de me sentir estranho ao entrar debaixo do chuveiro. De repente, parecia que eu ia desmaiar sem motivo. Comecei a hiperventilar. Não estava pensando em nada específico, mas o mundo pesava sobre as minhas costas.

No ano seguinte, uma experiência parecida. Ao sentar com minha família para comer num restaurante, me desesperei. Por nada que eu soubesse identificar. Minha cabeça só dizia que eu precisava fazer alguma coisa. Sair correndo para a rua e gritar. Me esconder no banheiro e chorar. Desabar ali mesmo, na frente de todo mundo. Por quê? Eu não tinha a menor ideia. Só senti meu coração disparar e precisei de um esforço imenso para controlar meus impulsos desesperados.

Foi nessa época que entendi que estava enfrentando uma questão de saúde, porque meu corpo estava dando evidências. De lá para cá, muita coisa aconteceu, e vou contando para vocês nas próximas publicações.

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