O que eu sei da verdade

Matrix – Warner, 1999

Acho sempre importante dizer para vocês que o modo como encaro Deus e a espiritualidade mudou muito nos últimos dois anos. Eu não interpreto hoje minhas vivências do passado como fazia quando ocorreram. Mas isso não as torna menos importantes.

Já colecionei fenômenos que considerava espirituais com toda a certeza. Hoje questiono a natureza deles, com um ceticismo que é natural para a fase que estou vivendo. Mas não significa que eu tenha explicação para tudo aquilo.

Estou tentando fazer sentido das coisas que vivi, enquanto compartilho meu processo de desconstrução com vocês. No caminho, tento não ser insensível nem abordar toda minha história do ponto de vista que tenho hoje, mas contando certas coisas do ponto de vista que tive quando estava na igreja, principalmente porque muitos de vocês são cristãos. Não faço isso só no blog, mas também em conversas diretas no Instagram e quando me pedem conselhos.

Eu busquei a verdade a vida toda. E andei pensando especialmente no assunto agora em setembro, porque foi o meu tema para escrever no Instagram. Achei que fazia sentido também escrever isso aqui.

Existe diferença entre verdade e realidade. A verdade é o que é por si só, mas a realidade é moldada pela crença. Isso quer dizer que, se você acredita em algo de todo coração, não importa se é verdade ou não — isso vai interferir na sua realidade.

Um sonho não é uma série de acontecimentos verídicos, mas ele é real. Um delírio não é uma manifestação da verdade, mas com certeza molda a realidade da pessoa delirante. Então, quando alguém diz que sentiu a presença de Jesus ou ouviu a voz de Deus ou sentiu seu poder, é inútil discutir se tudo isso aconteceu de verdade ou não. Foi real para a pessoa.

Assim são as experiências que eu conto que tive. Com Deus, com Jesus, com o Espírito Santo, com a “unção”, e com os “dons”. Essas coisas podem ter outros nomes para mim hoje ou nome nenhum. Mas foram minha realidade mais sincera um dia, e converso com todo mundo levando em conta quanto isso pode ser real para qualquer um.

A crença molda a realidade. E o molde que ela cria só se quebra quando temos a chance de enxergar algo que transcende o que conhecíamos com nossos próprios olhos. No fim das contas, quando o assunto é Deus, quem sabe a verdade?

2 comentários

  1. Olha, também tive várias experiências com Deus, com o Espírito Santo e com a minha fé durante os anos mais fervorosos da minha devoção. Hoje em dia eu não frequento mais nada, apesar de ainda me considerar católico e de vez em quando participar de eventos relacionados a RCC. Pra mim não precisa de explicação, se nos faz ou fez bem, e se não fere o direito do outro, tá valendo.

    1. Faz bastante sentido isso, pra mim. Com ou sem explicação, to feliz de ter vivido coisas boas. Gostei! Abração!

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