5 séries para quem está desconstruindo

Reciclando sua fé ou visão de mundo, uma das melhores descobertas que você pode fazer é que não está sozinho. Mesmo assim, é normal se sentir solitário quando seu mundo vira de cabeça para baixo. Nesse momento, a ficção pode ser uma grande aliada, porque a história certa nos faz sentir representados e nos ajuda a encontrar maneiras novas de interpretar a realidade.

Aqui vão sugestões para você, que está questionando o meio religioso ou já saiu de lá. Organizei desde a opção mais leve, para quem não quer grandes choques, até a mais densa, para quem se sente pronto para viajar. Depois não diga que não avisei.

1. Greenleaf

Lynn Whitfield e Keith David em publicidade do seriado

Greenleaf acompanha a vida de uma família pastoral multimilionária à frente de uma igreja de quatro mil membros. O programa é cheio de participações especiais, incluindo Kirk Frankin e Oprah Winfrey, que também é a produtora executiva aqui.

Tenho duas razões principais para recomendar esse drama. A primeira é que você vai acompanhar a jornada da pastora Gigi, que está em desconstrução, mas ainda se define como evangélica. Quem está começando a questionar seu lugar no mundo cristão vai se ver nessa personagem enquanto ela tenta achar o equilíbrio entre seguir seu coração e driblar os problemas estruturais da Igreja.

O segundo motivo é que o seriado retrata com precisão a mentalidade da comunidade evangélica, com suas dificuldades de enxergar as próprias contradições e hipocrisia, as racionalizações e justificativas dos seus defeitos, e a dinâmica que anula a individualidade em nome do coletivo.

Aproveite o holofote sobre as famílias Valadão e Malafaia, e dê aquela espiadinha marota por trás do altar.

2. The Boys

Antony Star em publicidade do seriado

Super irreverente, violento e malicioso, The Boys só não é mais falado pelo mesmo motivo de ninguém conhecer Greenleaf: nosso país é muito evangélico.

Foi estranho não listar algo mais leve entre esses dois seriados. Atente para a classificação indicativa: maiores de dezoito, e com razão. Palavrões e sangue são parte da diversão, então não é para todo mundo.

Mas o motivo de eu indicar esse programa para quem está desconstruindo é que ele escancara a relação entre o Cristianismo e a política, sem rodeios. Eu ouvi falar em The Send? As demais opções estão na Netflix, mas este aqui você encontra na Amazon Prime.

3. O Mundo Sombrio de Sabrina

Kiernan Shipka em publicidade do seriado para o YouTube

Apesar de bem menos obscena e sanguinolenta que The Boys, botei a série da bruxinha em terceiro lugar porque, sim, ela é muito mais chocante para quem tem tradição cristã.

Se você acredita em batalha espiritual, leva heresia a sério, e considera certos nomes e símbolos sagrados, nem assista, porque você vai se sentir extremamente ofendido.

O Mundo Sombrio é uma série para quem consegue rir da subversão do sacro e não tem medo de demônios. É uma alegoria do fundamentalismo religioso em que uma ordem de bruxos tem pouco em comum com o Satanismo de verdade, e muito mais com o Cristianismo. Até escrevi sobre isso aqui, se quiser saber mais. A trama adolescente é bobinha, mas o retrato do universo religioso vale cada episódio.

4. Rick and Morty

Rick and Morty em publicidade da Netflix

Se você chegou até aqui, parabéns. Já é oficialmente um desviado, e está pronto para esse sucesso absoluto da Netflix.

Rick and Morty é uma animação para adultos que acompanha as aventuras do homem mais inteligente do mundo e seu neto adolescente através de universos paralelos. É quase como De Volta Para o Futuro, mas com drogas e nenhum escrúpulo.

Este é o programa mais provocativo aqui da lista, com a linguagem mais chula, as cenas mais brutais, e a abordagem mais confrontativa. Rick and Morty tem uma pegada niilista, e isso vem com a liberdade de questionar valores religiosos, familiares, políticos, morais, e existenciais.

Regada a álcool e desmembramentos, essa série vai te dar vontade de lavar os olhos depois de alguns episódios, mas sempre te fazendo rir de como suas neuroses podem não fazer o menor sentido se comparadas à imensidão do universo.

Uma dica: o primeiro episódio é meio bagunçado. Mas, depois do terceiro, duvido você conseguir parar.

5. The Midnight Gospel

Clancy em publicidade de The Midnight Gospel da Netflix

Até aqui, a gente só aumentou o nível do caos e do absurdo. E sim, em Midnight Gospel, a desordem também é essencial. Mas, apesar dos palavrões e da violência, essa é a minha indicação mais importante.

Cada episódio da série foi animado em torno de conversas previamente gravadas num podcast, o que torna o tom do desenho único, além de super pessoal.

O “Evangelho da Meia-noite” é criação de Duncan Trussell e Pendleton Ward, também criador de Hora de Aventura. E ela tem algo para você, goste ou não de desenhos animados.

Em conversas francas, você vai acompanhar Clancy e seus convidados falando sobre a morte, a vida, alucinógenos, magia, política, e meditação. É tão complexo, que escolhi assistir a alguns episódios duas vezes. No último, você provavelmente vai chorar.

Apesar de ser um desenho animado, falei que é importante porque é super profundo. E eu acredito que todo mundo ganha ao aprender um pouco sobre meditação e ouvindo uma galera inteligente que acredita em coisas totalmente diferentes do que a gente costuma ouvir.

Se você está no início de um processo de desconstrução da sua fé, comece por Greenleaf. Mas se você já tem a mente bem aberta, Midnight Gospel é o meu favorito dos cinco.

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