Perdendo amigos

Quando você começa a questionar e reformular suas crenças, é normal se distanciar das pessoas. Existem várias razões para isso.

  • A gente cansa de se explicar.
  • A gente não quer converter ninguém à nossa jornada.
  • A gente precisa de tempo para processar as coisas do nosso jeito.

Eu mesmo me afastei de todo mundo quando deixei a religião. Sabia que estava a anos-luz da realidade das pessoas ao meu redor, e que elas não me entenderiam nem se tentassem. Afinal, eu fui como elas — também não compreendia nem aceitava gente em desconstrução.

Outro motivo para o meu distanciamento foi sentir que não tinha muitos amigos verdadeiros. Meu companheirismo não era retribuído.

Matt LeBlanc como Joey em Friends, Warner

“Mas você pelo menos tentou dialogar?” As primeiras pessoas para quem me abri não reagiram bem, para dizer o mínimo, e eu não me submeteria àquela dor de novo. Preferia estar sem amigos a me desdobrar emocionalmente por pessoas que não me aceitariam incondicionalmente.

Por um bom tempo, fomos só meu namorado e eu. Foi difícil, todo o sentimento de desamparo e solidão. Mas também foi importante. Deu para ver quantos daqueles “irmãos” se importariam com nossa distância o suficiente para nos procurar. Um número bem próximo de zero. É bom ter os olhos abertos, viu?

Ao me afastar do meu antigo sistema de crença, restaram as pessoas na internet que já passaram pelo mesmo que eu. Descobri que a maioria delas também tinha enfrentado perda de amizades, distanciamento familiar, e solidão. Eu não estava sozinho na minha experiência. Essa bagunça toda era normal.

Meses adentro em minha nova jornada, me reconectei a uma amiga. Uma desconstruída que considero mais espiritualmente evoluída que eu. Ela me disse essas coisas:

É muito melhor que a vida esteja um pouco menos açucarada, mas verdadeira. Eu lido bem com saber a verdade, por mais difícil que ela seja de engolir. Acho que pessoas ignorantes são muito mais felizes. Mas prefiro ser lúcida um milhão de vezes. Eu ressignifico meu conceito de felicidade, movendo-a para outra plataforma. Prefiro a queda do romance à queda da coerência. Ainda que eu estivesse sozinha como foi por um bom tempo, esse caminho seria a minha escolha e a minha alegria.

Ilustração por a-midnight-nation no Tumblr, da fala de Dr. Manhattan em Watchmen.

Quero que você entenda que as primeiras dores de se desconstruir não são definitivas. Eu sei que parece que vai durar para sempre. Mas teve uma coisa muito importante que aprendi com meu anjo-da-guarda, Phil Drysdale. Uma demolição não é o fim. O objetivo é o que vem depois; a reconstrução.

Se você se sente desorientado agora, isso pode parecer mais assustador do que animador. “Mais trabalho pela frente? Eu não quero recomeçar!” E tudo bem. Você não precisa pensar nisso nem se esforçar nesse sentido. Estou apenas dando uma boa notícia: depois de um processo só seu e no seu tempo, você vai ver que essas ruínas não serão tudo o que pode existir daqui para a frente.

Pode chorar agora, pode ficar sozinho, e pode ficar com raiva, que eu sei que dói demais. Mas saiba que vai melhorar. E logo você vai descobrir que não está sozinho. Continue corajoso.

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