5 filmes que me ajudaram a sair do armário

Durante a maior parte da minha vida, fugi de qualquer coisa que tivesse temática gay. Achava que era pecado. Mas aos trinta e um anos, quando finalmente encontrei espaço para me descobrir, mergulhei de cabeça no que sempre me ajudou a encarar a vida — o cinema.

Esta é uma lista dos cinco filmes que mais me deram força para reconhecer e aceitar a minha sexualidade. Pode conter spoilers, mas tentei guardar surpresas.

1. Alex Strangelove

Daniel Doheny e Madaline Weinstein em cena do filme

Nessa produção da Netflix, a gente acompanha a história fofa de um adolescente no Ensino Médio convicto de que é hetero. Só que ele não é. Apenas não percebeu ainda.

A história desse garoto foi importante para mim porque eu nunca fui um cara mentindo sobre minha sexualidade. Eu realmente não a entendia. E sei que muita gente com a mesma experiência pode se enxergar no Alex.

De todas as opções aqui, essa é a mais palatável, por não ser profunda ou dramática demais. Mas isso não significa que não faça uma abordagem séria do seu tema. O momento em que o protagonista descobre o bloqueio que tinha quanto à própria sexualidade foi dirigido com a maior delicadeza do mundo e me botou para chorar.

Destaque para a personagem Claire, que dá uma lição de amizade de despedaçar o coração. A Madeline Weinstein arrasou nesse papel, que, com certeza, era o mais difícil, navegando entre a típica bobagem adolescente e uma força impressionante.

2. Hoje eu quero voltar sozinho

Fabio Audi e Ghilherme Lobo em cena do filme

Saem as cores vibrantes e o neon da Netflix, entram os tons pastéis de uma produção brasileira que recebeu oitenta e dois prêmios.

Ele não tem o aspecto plástico nem a pretensão de um roteiro de Hollywood. Segue seu próprio ritmo, é mais introspectivo e romântico. Nem todos os atores têm um desempenho muito convincente, mas o que o Guilherme Lobo faz em cena já é o bastante para cativar a gente.

Eu adorei o retrato do personagem principal, o Gabriel, que é cego. Ele é um cara descobrindo a própria sexualidade sem os apelos eróticos que influenciam a maioria das pessoas. E, diferente do que se vê em muitas histórias reais ou da ficção, ele não sente que precisa criar um evento em torno de sair do armário. Foi muito importante para mim perceber a homossexualidade com um olhar tão natural quanto o desse longa.

3. Holding the Man

Ryan Corr e Craig Stott em cena do filme

O título ficou em inglês, mesmo, porque esta é uma adaptação do famoso livro de memórias de Timothy Conigrave, de mesmo nome. Além disso, é um trocadilho que amarra a história de um jeito tão bonito, que me derrete só de escrever. Mas não vou explicar para não estragar sua chance de sacar por conta própria.

Holding the Man envolve o drama de enfrentar o HIV na década de 80, então a coisa fica mais tensa aqui. Sinceramente, não é o filme mais bem produzido ou dirigido na lista. Mas eu me emocionei demais com ele, especialmente sabendo que relata uma história de amor verídica. Esse filme me fez encarar medos que eu tinha acerca do futuro, e senti algumas paradas resolverem dentro de mim quando subiram os créditos.

4. Boy erased: uma verdade anulada

Nicole Kidman, Lucas Hedges e Russell Crowe em poster do filme

O elenco de maior calibre está aqui, com Nicole Kidman, Russell Crowe, e Lucas Hedges, indicado ao Globo de Ouro por esse longa, que não estreou nos cinemas do Brasil, infelizmente.

Esse é o tipo de coisa que seus pais evangélicos precisam assistir. Conta a história real de garotos num centro cristão para converter gays em heteros, seguindo os relatos do best-seller de Garrard Conley. Spolier (só que não): o “tratamento” não dá os resultados esperados. Só machuca, mesmo.

Na minha opinião, o filme pegou leve. Mas, para pessoas religiosas, deve ser uma experiência intensa e de abrir os olhos. Foi importante para massificar o que eu já sabia sobre “terapia de conversão” — é uma violência espiritual infértil. Todo mundo tinha que ver.

5. Me chame pelo seu nome

Timothée Chalamet e Arnie Hammer em cena do filme

Esse é um dos meus filmes favoritos. Não apenas dessa temática. Da vida, mesmo. Ele é a peça mais bela desse conjunto, a obra mais madura.

A locação na Itália é deslumbrante. Aqui eu encontrei a família mais liberal e acolhedora que já vi em cena. O filme te conta coisas com imagem e som sem depender de palavras. Essas, muitas vezes, são poéticas ou tímidas, de qualquer maneira, e você precisa sentir e interpretar.

Valorizo bastante isso num filme; que ele não diga tudo. Que nem todas as respostas estejam no diálogo. Mesmo assim, o que mais me tocou foi a conversa que o pai de Elio tem com ele no final. Foi como se uma chave virasse no meu peito.

Eu poderia falar muito mais de Me Chame, mas prefiro que você assista. Que veja todos, aliás. E que esses filmes façam você se sentir compreendido, representado, menos sozinho e mais corajoso, como aconteceu comigo.

2 comentários

  1. Amo cinema também, pra mim, além de arte, é uma válvula de escape. Dos 5 filmes citados só não vi Holding The Man. Me chame pelo seu nome tambem é um dos meu filmes favoritos, pois ele não foca no relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, mas no amor entre duas pessoas, independente de gênero. Conheci hoje seu blog e já estou amando. Um forte abraço!

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