Ai, meu deus, passei dos 30

Só quem me conhece bem sabe que odeio fazer aniversário. Especialmente agora. Trinta e quatro anos? Faça-me o favor. Todo mundo, inclusive eu, não me dá mais de vinte e seis. Vinte e oito é raro.

Antes, não era a idade que pegava. Junho se aproximava, e eu entrava no mesmo redemoinho emocional todo ano sem querer. Uma mistura de depressão, ansiedade, autoavaliação, e autopiedade. Brochante.

Mês passado, na semana do meu aniversário, eu estava tentando me acalmar, dizendo para mim mesmo que não precisava corresponder às expectativas que nossa cultura cria para a gente. Aos vinte, formado / aos vinte e cinco, pós-graduado / aos trinta, microempreendedor bem-sucedido. Consegui frear meu cérebro antes de acabar agachado no canto do chuveiro cantando All by Myself. Internamente, eu falei mais ou menos isso:

Mitch, quantas pessoas de trinta e quatro anos você conhece que se encaixam ao padrão na sua cabeça? Não essas do Instagram, que são as exceções, Mitch. Gente real. Quantas?

E a resposta foi “zero” — zero, em inglês. Veio acompanhada da ressurreição de uma memória esquecida, repentinamente super clara: eu conversando com minha mãe quando tinha 24 anos.

O Jon Foreman, com a minha idade, já tinha gravado mais de três discos com o Switchfoot. E o Adam Young? Um mês mais novo que eu, e já é um gênio musical. Eu estou atrasado. Nunca fiz nada na vida!

Sim, príncipe. Porque todo mundo deixou sua marca na história antes de completar vinte e cinco luas, menos você.

Adam Young, o rei de Owl City

Quando converso com amigos acima dos trinta, me contam que estão na mesma. É difícil não se comparar com outras pessoas da nossa idade que parecem ter tudo em dia. Mas eu me dei conta de que faço essa palhaçada já tem mais de dez anos, pensa bem.

Quando a ficha caiu, parei de secar a cabeça com a toalha e fiquei ali, molhado e parado no banheiro, deixando a realidade me acordar. Essa autocobrança não tem a ver com minha idade. É uma mania, um lance que eu aprendi. Sabe o nome disso?

Delírio s. m.

Convicção errônea mantida por uma pessoa, baseada em falsas conclusões tiradas de dados da realidade exterior, e que não se altera mesmo diante de provas ou raciocínios em contrário.

Obrigado, Google. Meu furacão emocional não passa de uma alucinação. Não precisa me arrastar desse jeito:

Twister, 1996 – Warner

Voltei a secar o corpo pensando em quanta coisa boa já fiz. Quanta sorte eu tive no passado e tenho hoje. Parei de olhar para os meus defeitos por alguns segundos, e listei umas três qualidades importantes para mim. Respirei fundo e agradeci pelo que eu sou. Nesta idade, isso vale bem mais para mim do que realizações. Independentemente do que deixei de fazer e aonde não cheguei, eu estou feliz por ser foda quem eu sou.

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