Meditação e oração

Desde que comecei a meditar no esquema mindfulness, enfrento essa ansiedade por fazer direito. Por ser constante, como o evangelicalismo sempre pediu de mim. Por me tornar bom em meditação. Nada disso tem a ver com a filosofia da prática, o que é até engraçado.

Hoje eu me senti muito confortado por uma coisa que ouvi da Tamara Levitt, que conduziu minha sessão do dia. Ela falou que é normal se perder na rotina de vez em quando, e esquecer de meditar. Que é normal até passar por períodos em que deixamos de priorizar essa prática na nossa vida. E que não precisamos encarar essas coisas como abandonos. É um consolo e tanto para quem ouviu a vida toda que não podia passar um dia sem orar, que quem não está progredindo na sua vida espiritual está regredindo, porque não existe ponto de parada na caminhada. “Ou você está crescendo ou está piorando.” Constância, constância, constância. Um ideal superestimado, idealizado, e raramente encarado como o que de fato é: impossível de atingir.

No fim, a Tamara disse que cada prática de meditação é uma fração de um todo. Foi parecido com o que escutei do Jeff Warren, outro orientador do Calm, que é o aplicativo que uso para meditar. Ele diz que cada prática de meditação é um treino para o nosso cérebro e tem seu valor. Se algumas sessões são mais calmas e outras, mais turbulentas, se eu perco bastante a concentração numa ou outra sessão, nada disso anula o fato de que eu meditei. E isso está transformando minha mente passo a passo e, por consequência, minha rotina.

Hoje a Tamara falou que, se você passar algum tempo sem prática, quando voltar ao seu cantinho para meditar, será como retornar a um velho amigo. E isso me fez pensar em como seria bom se a gente fosse ensinado a demonstrar a mesma compaixão pelo nosso relacionamento com Deus.

Pessoas em desconstrução quase sempre enfrentam períodos em que orar é uma prática difícil ou inexistente. E nosso cérebro cerimonialmente lavado insiste em nos culpar por isso. Para quem foi um cristão dedicado por um bom tempo, a fase da desconstrução acarreta uma série de coisas que são difíceis o bastante sem precisar da ajuda da culpa. É muito doloroso se ver flutuar para longe de crenças, valores, e práticas que foram tão importantes para a gente. Muito pior quando a coisa de que precisamos nos distanciar é o próprio deus como entendíamos. Quando questionamos a natureza e a própria existência dele.

Caso ele realmente exista, e seja bom e amoroso como Jesus falou… Será que ele não seria muito mais tolerante com a gente do que um colchonete de meditação? Talvez ele saiba esperar cada temporada da nossa vida. Se o espírito de Deus sonda o nosso interior, deve ser especialista em empatia. Em aceitar e compreender perfeitamente o tempo que levamos para assimilar certas coisas, e nossa necessidade de ficar a sós. As melhores pessoas compreendem e respeitam sem ressentimento quando dizemos “Preciso fazer isso sozinho”.

Talvez, quando estivermos prontos para Deus de novo, a gente se encontre com um velho amigo. E se esse dia nunca chegar, talvez esteja tudo bem porque, cada vez que tomamos tempo em devoção no passado, essa atitude fez seu papel como uma fração do todo na nossa existência. Acho que nada é desperdiçado na vida, nada perde seu lugar. Depois que a fase mais difícil passar, pode ser que a gente descubra que está tudo bem com Deus e conosco. Está tudo bem entre nós e ele também.

2 comentários

  1. Pois é… Na vida encontramos muitas “pedras” que nos induzirão a desviar do nosso objetivo… Quando uma dessas pedras ( por deslize) consegue mudar o nosso caminho, cabe a nós levantar a cabeça e seguir o nosso caminho e, utilizar como aprendizado para melhoria contínua!

    Ótima publicação! Parabéns!

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