Amor incondicional

A principal mensagem do Cristianismo é sobre a coisa que todo mundo quer, que também é a mais difícil de encontrar: amor incondicional. Claro que a religião cristã, para existir, depende também de outros conceitos como salvação, perdão, juízo e mais um monte de coisa, mas amor é o pilar central.

Incondicional é a palavra-chave. É nisso que a maior parte dos cristãos não percebe que vacila com os de dentro e os de fora. Porque o amor que eles nos oferecem, mesmo quando é bonito e sincero, vem com expectativas embutidas. Toda vez. As exceções são mais raras que diamante.

Isso é fruto do deus em que creem. O Deus que ama o pecador, mas odeia o pecado. O Deus que é amor, mas é justiça. Uma entidade que não consegue ser boa sem poréns. “Tu me amas como sou, mas não me deixas como estou.”

O cristão espera que seu amor revele a você o seu deus, e que essa revelação transforme você. Em quê? Em alguém melhor, em alguém “mais santo”. Para quê? Para que você possa estar perto de Deus e viver para sempre. Por quê? Porque esse é o chamado dele: mudar sua vida para melhor. E é assim que o amor se torna sempre secundário à mudança que se espera do outro. Eu amo você contanto que.

Note como o crente simplesmente deixa de falar com quem muda de igreja. Com quem perde a fé. As expectativas foram quebradas, então ele fica desobrigado de amar. Repare nos caçadores de heresia, sempre perguntando se cremos num Deus que nos ama de maneira tão romântica, que não vai exigir nenhum comprometimento de nós. E-xi-gir. Vão teimar que a graça não dá permissão para fazer o que você quiser, mas sim a capacidade de se arrepender. “Tudo é pela graça, mas nada é de graça.” Nem mesmo o amor.

Isso explica os pais e os amigos evangélicos que insistem, sem vergonha, “Eu te amo, mas não posso apoiar sua decisão”. A Igreja é o único lugar do mundo onde as pessoas acreditam que podem amar sem apoiar; que amor incondicional não pressupõe companheirismo em toda circunstância. Mas é justamente este amor que a gente procura desesperadamente. Um que fique do nosso lado não importa o que aconteça. Que estime mais a gente e nossos laços do que se concordamos ou não.

Crente, se você não está do meu lado, não divide a vida comigo com seus altos e baixos, não supera as nossas diferenças em prol da simples presença compartilhada, e não me aprecia exatamente como sou, me diz: para que preciso que você me ame? Só você precisa desse amor estéril, que não passa de um sentimento gostosinho, porque te dá a impressão da piedade. Mas ele não faz coisa nenhuma por mim. Não oferece nada do que todos nós esperamos do amor.

Esse suposto amor só serve para dar aos religiosos a certeza de ter autoridade para interferir no modo como os outros vivem. “Eu falo por amor, porque quero seu bem, doa a quem doer.” Mas só dói na gente. Neles, o ego é massageado pelo sentimento de superioridade moral e espiritual.

A gentileza que o cristão nos oferece mira a expansão do Reino. Note o linguajar. Estamos falando de colonização educada. Eu abraço e sorrio, visito e discipulo, ministro e o escambau. Tudo muito bom. Mas se faço essas coisas para chegar a um fim, toda essa cortesia tem nome: política. O amor é um fim em si mesmo.

Nós recebemos você com todo amor em nossa igreja. Venha como está! Vamos dar tempo para que você passe a ser como nós. Enquanto isso, faça o favor de dizimar, de arranjar um ministério, e de não fazer nada que nos escandalize; nada com que a gente não concorde. Venha, mas não fique como está, porque aí o tratamento será diferente.

Por que pessoas se tornam membros de igrejas? Por que se sentiram amadas ali. Por que elas vão embora mais tarde sem amor? Por que a primeira impressão foi um esquema para ganhar seu voto. Depois que você já é parte do Reino, não precisamos mais fazer comícios e beijar seu bebê. Política.

Uma das descobertas mais transformadoras que fiz na vida, devo ao best-seller Brennan Manning. Ele dizia que Deus não nos ama apesar das nossas falhas, pecados e imperfeições. Ou isso não seria aceitação plena. Não seria amor incondicional. Deus nos ama com tudo o que somos, exatamente como somos. O bom e o ruim.

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