Sodoma e Gomorra: o que cristãos gays e heteros precisam saber

Eis a história. Dois seres sobrenaturais visitaram uma cidade e perceberam que era perversa. A não ser por uma família; a única que lhes ofereceu hospitalidade. A ela, os seres disseram que fugisse para as montanhas. Por sua piedade para com os forasteiros, as vidas dessa família foram poupadas enquanto sua cidade foi destruída pelo poder divino.

A destruição de Sodoma e Gomorra, Pieter Schoubroeck

Já ouviu falar em mitologia?

Você acha que acabei de contar a história de Sodoma e Gomorra. Mas não. Eu contei a história de Baucis e Filémon — um conto mundialmente conhecido como o Mito da Hospitalidade.

Os elementos básicos da história de Sodoma e Gomorra aparecem em diversos mitos de diferentes civilizações. Afinal, no mundo antigo, havia uma noção generalizada de que a hospitalidade era uma virtude muito nobre ou até mesmo sagrada. No mundo bíblico, ser hospitaleiro tinha extrema importância. Pode ver como O Bom Samaritano, uma das parábolas mais famosas que Jesus conta nos Evangelhos, é sobre esse tema.

O que a ciência diz

Você já deve ter reparado que, milênios atrás, nossos ancestrais atribuíam tudo o que não sabiam explicar ao sobrenatural. Ninguém sabia de onde vinha a chuva, então adoravam o Deus do Clima para molhar suas plantações. Muitas histórias de cidades destruídas pelos deuses com água ou fogo em diferentes culturas são o resultado do esforço de vários povos para explicar catástrofes naturais que não podiam entender.

Não existe qualquer prova arqueológica da existência de duas cidades chamadas Sodoma e Gomorra na região onde a Bíblia as situa. Mas há muitas evidências de que, em 3.123 aC, um meteorito cruzou a região do Mar Morto rumo à Áustria, onde colidiu com uma montanha causando um enorme deslizamento de terra em Köfels, explodindo então numa enorme quantidade de materiais em alta temperatura. Nunca encontramos as duas cidades bíblicas, mas encontramos um vale com cinco em vez de duas cidades destruídas por algo muito quente. Provavelmente fragmentos do meteorito que caíram como uma “chuva de fogo e enxofre”.

Quando o Antigo Testamento foi escrito, não havia tecnologia ou expertise para estudar ruínas e dizer com exatidão o que haviam sido. Por isso a lenda bíblica chama as cidades arruinadas simplesmente de Sodoma e Gomorra, palavras que significam algo como “Lugar Queimado” e “Lugar Destruído”.

Ló ou Filémon? Anjo ou deus?

Quando era adolescente, uma amiga e eu tivemos uma conversa muito animada sobre como devia ser impressionante viver na época do Novo Testamento. Olha só o que aparece em Hebreus:

Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber, alguns acolheram anjos. (Hebreus 13:2)

Minha amiga e eu ficamos imaginando os primeiros cristãos recebendo e ajudando pessoas sem-teto em casa para, mais tarde, descobrir que aqueles eram anjos disfarçados. Claro que, se você está prestando atenção, já sabe de quem o autor de Hebreus estava falando: Ló e sua família. Porque os anjos que os alertaram da iminente destruição de Sodoma e Gomorra estavam disfarçados de homens.

Acontece que era comum, séculos atrás, acreditar que deuses apareceriam disfarçados de pessoas precisando de hospitalidade. Isso fortalecia a importância dessa virtude em sociedades onde ser forasteiro era muito mais perigoso do que hoje em dia. É por esse motivo que você encontra esse relato em Atos:

Ao ver o que Paulo fizera, a multidão começou a gritar em língua licaônica: “Os deuses desceram até nós em forma humana!” A Barnabé chamavam Zeus e a Paulo Hermes. (Atos 14:11-12)

Os deuses em questão não foram mencionados sem motivo. Zeus e Hermes são justamente os deuses que se disfarçam de humanos para visitar Baucis e Filémon naquela história tão parecida com a de Sodoma e Gomorra, que contei no começo deste texto.

Continua no próximo capítulo

Isso tudo é muito interessante, mas sei que ainda não tocamos na palavra-chave da discussão que todo mundo quer ouvir: homossexualidade. Mais sobre isso na semana que vem.

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