Permissão para a incredulidade

As pessoas não acreditam em tudo que a gente diz. É um fato da vida. E ninguém está desesperado com isso. A gente cresce e aprende a não dar importância demais quando alguém duvida do nosso caráter e das nossas palavras. Mas o Deus que a gente aprende na religião não tem essa mesma maturidade.

Na igreja, a gente sente uma pressão para crer em tudo que é dito sobre Deus — pelo pastor, pela Bíblia, e pela tradição teológica. As pessoas mais questionadoras aprendem a guardar suas opiniões para não ter que ouvir os irmãos em discursos indignados que vão de mal a pior.

Como assim, você não crê? Mas a Bíblia claramente diz!

Querido, sem fé, é impossível agradar a Deus.

Mas amado, você tem que crer! Caso contrário, não tem como Deus agir.

A divindade que nos ensinam precisa de fé. Sem ela, seu coração se parte e seus poderes acabam. E é por isso tudo que qualquer cristão conhece uma fase da vida em que se colocou numa busca contínua pela fé perfeita, passando a angustiar-se sempre que encontrava em si o menor traço de incredulidade.

A razão pela qual é tão difícil adquirir uma fé infalível é que tal coisa não existe. Duvidar não deveria ser tabu porque é tão humano quanto respirar. Se não duvidássemos, para início de conversa, a própria fé não existiria ou não faria sentido. Pois são as incertezas que nos levam a buscar significado para a vida — e uma força maior sobre a qual depositar confiança num mundo de inseguranças. A fé só faz sentido onde existe a dúvida. Num mundo de certezas, a fé não é necessária.

Muitas vezes, quando um cristão toma a coragem de expor sua dificuldade de crer em algo, a resposta que recebe é um tapinha nos ombros seguido de um “Apenas creia, meu irmão”. Isso faz parecer que a fé é coisa fácil de alcançar, o que nem sempre é o caso.

Certas pessoas se sentem confortáveis questionando as coisas o mínimo possível. Elas almejam uma vida sem a necessidade de ver para crer. Para elas, “apenas crer” soa convidativo e nobre. Mas outras pessoas são naturalmente inquisitivas. Elas gostam de pensar de maneira objetiva e lógica. “Apenas crer”, para esse tipo de gente, soa assustador, ingênuo ou mesmo impossível.

Deus observa esses dois grupos com a mesma imparcialidade. Nem o poder nem os sentimentos de Deus são afetados pela fé ou pela incredulidade. Ele é autossuficiente. Isso significa que ele não precisa de fé. E ele entende quando você sente que também não precisa. Ele aceita quando você sente que não consegue. Que duvida. Quando você é incrédulo, está tudo bem.

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