Disse Jesus: eu não concordo com a Bíblia

Ao ouvir que a Bíblia não é a palavra de Deus, muita gente se irrita. Às vezes, sente medo. Há vários fatores envolvidos nisso. A possibilidade de estar enganado ou de ter sido enganado. A de sofrer uma crise de fé e uma conseguinte crise de identidade… Nada disso é simples e confortável, e a nossa aversão a questionar nossas crenças é compreensível.

Costumamos defender com fervor nossa forma de acreditar porque ela é importante para a gente. Só que fervor, embora seja uma coisa boa, fica perigoso para todo mundo quando protege uma ideia que simplesmente não é verdadeira. E enquanto consideramos apenas o valor que uma ideia tem para nós mesmos, somos capazes de nos tornar violentos e inconsequentes para protegê-la. Frequentemente começamos a mudar quando enxergamos quanto nossas crenças machucam outras pessoas.

É por isso que, num texto recente, quis que a gente imaginasse um filho perguntando ao pai se a Bíblia é a palavra de Deus. Para vermos o assunto de uma perspectiva humana e pessoal. Quero dizer, como você poderia ensinar ao seu filho de seis anos que o Deus que quer a amizade dele é o mesmo que matou praticamente toda a raça humana afogada?

Pais cristãos querem formar filhos que tratam todos com compaixão. Jesus chega ao ponto de dizer que devemos amar nossos inimigos. Como um pai que leva a Bíblia a sério, eu já não conseguiria dizer ao meu filho que ela é A Palavra começando daí. Você já viu como o povo de Deus trata seus inimigos nesse livro? Quando alguém é diferente na Bíblia, matá-lo não é assunto dos “cristãos ruins”, mas dos ungidos, que invadem terras, saqueiam, e assassinam inocentes com a bênção ou sob ordem do próprio Deus.

Todo mundo quer “levar a Bíblia a sério”. É um conceito super importante no evangelicalismo. Bem, não se pode levar a Bíblia a sério e ensinar que ela é a palavra de Deus ao mesmo tempo. Isso é a receita para crianças, jovens, adultos e comunidades inteiras confusas sobre Deus, que não conseguem confiar nele e em seu amor sem entender direito por que. E o motivo é que a Bíblia pinta um retrato de Deus muito mais negativo do que positivo. A história de Jesus é uma parte curta desse livro. A parte mais longa é sobre um Deus que pune com lepra, pragas, e tortura eterna. E depois diz “Venham ser meus amigos e me adorar”. As igrejas estão cheias de crentes confusos sobre Deus, não por mera falta de fé, mas por uma fé jamais questionada de que a contraditória Bíblia é a palavra de Deus.

Se Jesus é, como a Bíblia diz, o Verbo, então temos boas notícias. Incluindo esta: a verdadeira Palavra de Deus discorda da Bíblia. A Palavra Original veio anunciar que os autores bíblicos estavam errados ao imaginar que o sangue derramado em nome de Deus o agradou. O Deus da Guerra e da Vingança não existe, e o Pai de Jesus é o Deus da Paz e da Reconciliação. Isso precisa nos levar a reinterpretar todo discurso bíblico que não concorda com Jesus. Ou ele estava falando a verdade e a Bíblia registra várias maneiras como nos equivocamos sobre Deus pensando que ele era mau, ou a Bíblia toda é a palavra de Deus e ele é um duas-caras na melhor das hipóteses.

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