Aceitando o momento presente

Eu sempre bloguei a partir da minha vivência. Mas foi recentemente que decidi contar minhas experiências para vocês. Talvez tenha a ver com eu ter descoberto que pesquisas científicas apoiam o que sempre preguei sobre a vulnerabilidade. #ThanksBrenéBrown

Conforme eu estudo a forma como nos desenvolvemos enquanto indivíduos e sociedade, vou me tornando cada vez mais consciente dos pontos fortes e fracos de onde me encontro na minha jornada. E também passo a enxergar com maior clareza o momento em que estão vocês, que me acompanham. Desse jeito, eu me sinto motivado a compartilhar o que está acontecendo na minha vida por identificação com a galera que me acompanha. Alguns de vocês estão passando pela mesma fase que eu e se sentirão validados em sua maneira de interpretar o que estão vivendo. Outros de vocês estão se encaminhando para trilhas que eu já tive a chance de percorrer, e podem encontrar algumas respostas ou uns palpites úteis, pelo menos.

Primeiro, uns pontos negativos com os quais tenho lidado. No estágio onde me encontro, costumo ter pouca paciência para quem está confortável e confiante num estágio que eu já excedi. Detesto admitir isso, porque tenho, como qualquer cristão obcecado com piedade, o sonho inatingível de ser gentil com todo mundo sempre. Mas já sei que não consigo. Vou explicar, e vocês vão sentir que tem tudo a ver.

O estágio natural anterior ao deste que vos fala é um que não lida bem com dúvidas. Ele precisa de estrutura e segurança. Ele defende com unhas e dentes o seu próprio grupo e, nisso, se torna um pouco cego aos grupos diferentes do seu. Eu entendo bem esse pessoal porque eu era desse jeitinho anos atrás. Mas, infelizmente, a atitude natural do estágio seguinte da vida não é pensar “eu já fui assim” e se tornar automaticamente empático. Não. O comportamento normal do grupo onde me encaixo hoje é demonizar suas próprias crenças anteriores. É quase impossível não agir desse jeito, mesmo sem querer. Alguns de nós somos apenas cretinos, mesmo, mas não todos.

O grupo de onde eu saí se sente superior ao grupo onde me encontro. E vice-versa. Nesse quesito, nenhum dos dois é muito melhor que o outro. Mas há uma diferença importante entre esses dois grupos. O primeiro não pode entender o segundo. Mas este consegue entender ambos. Só concordar é que não rola.

Mas vamos falar de coisas positivas também. No estágio em que me encontro (com alguns de vocês, talvez a maioria), há um aspecto muito positivo que já ficou implícito aqui. Deixamos de nos desesperar ao menor sinal de imperfeição em nós mesmos. Estamos numa fase de aprender a respeitar e valorizar nossa individualidade num nível que era impossível para a gente pouco tempo atrás, e então começamos a lidar com nossas fraquezas com maior paciência e graça.

No estágio onde eu me achava antes, qualquer falha era O DIABO. Era O FIM. Era uma separação do Pai, uma traição ao Filho e uma ferida no coração do Espírito Santo. No estágio onde me encontro, minhas falhas não são encaradas com tanto narcisismo. Não são coisas estranhas a nenhum ser humano nem a Deus. São resultado do estado dos meus hormônios, das minhas crenças ruins e dos meus traumas ainda em superação. De vez em quando, são apenas uma reação aceitável à idiotice alheia, mesmo. Pelo menos, na nossa cabeça, é assim agora. E a gente aprende a dizer que tudo bem aceitar o presente momento como ele é, com seus altos e baixos. C’est la vie.

Tudo isso é para ajudar vocês a aceitar o momento em que se encontram. Lembra de quando Paulo fala para cada um caminhar segundo a medida de fé que possui? Não importa em qual estágio você se encontre: a gente só consegue trabalhar com o que tem em mãos. Seu melhor é o melhor que você consegue fazer agora. Tome inspiração em Espaço Final, quando Gary e seu pai têm um diálogo mais ou menos assim (*alerta de spoiler*):

— Faça o seu melhor.

— Mas e se o meu melhor não for bom o suficiente?

— É bom o suficiente para mim.

Talvez você não conheça Espaço Final. Talvez tenha visto só o episódio piloto e queira me quebrar o coração ao dizer que não curtiu. Mas acho que podemos imaginar que o discurso de Deus sobre o nosso desempenho deve ser tão bom quanto o do pai do Gary.

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