Desconstrução e reconstrução

Boa parte de vocês, que me seguem, faz parte de uma minoria cristã. São pessoas que questionam sua fé. Alguns de vocês estão passando por processos de desconstrução. Por isso a gente se identifica. E por isso reuni abaixo trechos de letras dos discos mais importantes do meu 2019, contando uma história de dúvida, desilusão, caos, reconstrução, cura e paz. Nessa ordem. Palavras que me inspiraram muito e que eu espero que também toquem vocês de alguma forma. Muito amor para vocês!

Tiago Iorc

“Eu sei que você está, só que não sei onde. (…) Eu sei que era só chamar, só que não sei seu nome. Tem vezes que ouço assim, tão tim-tim por tim-tim, seu passo atrás de mim. Mas, quando eu me viro, você some. Quando olho pra alguém, saio do trem, caminho a pé ou subo nos astros, me encontro com indícios do seu rastro. Corro atrás e não acho.” (O dia de encontrar você – 5 a Seco)

“Nada a ver. Promessas e promessas de fazer chover. Faltou cair a água. Deve haver maneiras e maneiras de se controlar. Alto lá. Parou. Defender bandeiras e bandeiras, depois debandar. ‘Falou, valeu, meu chapa!’ Vão nascer estrelas e estrelas para embaralhar seu sensor astral. Faz que faz e quer ser mais e mais até vencer. Só assim vai ver que quem perdeu foi só você.” (Maneiras e maneiras – 5 a Seco)

“Quero viver, quero mudar. Um motivo, não há. E, lá fora, o mundo volta a girar. (…) Nesse jogo de tanto faz, foi que a gente se desfez. E agora a gente dança. Nessa guerra pela paz, nessa insana lucidez, a vida nunca cansa. Por que será? Veja, o Sol nasceu no mar de lamentar. E eu só quero chorar e esquecer.” (A vida nunca cansa – Tiago Iorc)

“Pra poder viver o amor, tem primeiro que se amar. Se for de verdade, há de prosperar. Candeeiro interior nunca pode se apagar. Tanta tempestade há de incomodar. Eu queria muito era só você e eu. Fui ficando mudo pra viver num mundo seu. (…) Se deixei acontecer, foi meu jeito de lidar. O que a gente sente, não dá pra explicar. Cada um é um mundo. No meu mundo, mando eu. Fui perdendo o rumo. Orbitei num tempo seu. (…) Quanto mais deixar me levar, muito mais eu vou me perder. Eu queria muito era só você e eu. Foi ficando fundo. Meu mundo todo inundou. Eu faria tudo. Mas assistir o amor partir, eu não vou.” (Ventos de Netuno – 5 a Seco)

“Senti a dor na pele por tudo que eu não fiz. O aperto aqui no peito me roubou o amanhecer. Eu dei meu melhor. Tem dias que parece que não vou conseguir. O medo me persegue, me impede de sorrir. Eu só quero amar direito e ser tudo que eu puder. Seja o que for, venha o que vier. (…) Nenhuma dor é pouca. Nos erros, aprendi. Na vida sempre louca, amar é decidir. E cada nova escolha é o que precisa ser. Nem sempre, o melhor. Às vezes, não tem outro jeito. O jeito é seguir. Lembrar que o que me fere também me faz sorrir. Escrevo em um bilhete: ‘Ame tudo que puder. Seja o que for, venha o que vier’. E , se caso for, eu posso esperar a chuva passar pra recomeçar.” (Bilhetes – Tiago Iorc)

“Nada do que nós somos, do que sonhamos, do que queremos é em vão. Nada há hoje que não lembremos. Não é pra menos. Tudo nos toca o coração. (…) Nada do que amamos, nada calamos. Os nossos planos seguirão. Todos os anos, nos descobrimos. Somos insanos na lucidez da solidão. E, na avenida, a vida vai. E a briga é por paz. A nossa história, assim se faz. Ela, ele, eu.” (Ela, ele, eu – 5 a Seco)

“Era um vendaval. Era um frenesi. Era o oposto de estar nem aí. Era surreal. Era pra valer. Era somente o que tinha de ser. Era uma chance em trinta mil. O início de uma era. Ora, tudo que se viu, agora, reverbera. Era, é. Você pega o trem e não quer descer. Sopra uma brisa que espanta o sofrer. Nunca tão feliz sem saber por que. Essa é a brisa de estar com você.” (Brisa – 5 a Seco)

“Por você, montei navios. Encarei o frio da solidão e uma multidão de estrelas. Quando, enfim, saltei no cais e, ao invés de muros, vi quintais, dali não sairia nunca mais. Deixo o futuro criar raiz. Juro que, um dia, serei feliz. Vejo lampejos dos nossos beijos em qualquer lugar. Pra sempre será tempo de se amar.” (Tempo de se amar – 5 a Seco)

“Cada centímetro de chão, pedaço da imensidão, poeira interestelar. Quanta sorte é poder chegar nessa vida com você. Todo caminho trilha um Sol dentro do olhar de cada um. Se conhecer pra se gostar. Ser mais forte por acreditar na alegria de viver. Cada suspiro é gratidão de ver entrelaçar as mãos que, juntas, podem muito mais. (…) Quero a sorte de reaprender essa vida. Ser a chuva que quer chover.” (Laços – Tiago Iorc)

“Falar, calar, lembrar, esquecer, perder, achar. Adeus, olá, pegar, devolver, partir, voltar. E os irmãos de lá e os irmãos de cá vão perceber que a canção de cá, que a canção de lá têm tudo a ver.” (Canção de lá – 5 a Seco)