Um resumo pessoal para ajudar o pessoal

Se você me acompanho, já deve saber do seguinte: 2016 e 2017 foram os anos mais difíceis da minha vida. Um longo período em que me senti desamparado, sozinho, e sem esperança. Foi quando me tornei ansioso e depressivo. Queria que minha vida terminasse.

Eu sei. Sombrio. Mas não vou ficar de choramingos. Palavra.

Quando vejo fotos ou vídeos dessa época, os sentimentos mais profundos de vazio ecoam em mim. E recordo que eu não me dava conta da gravidade da minha situação. Os sentimentos que reemergem quando lembro desse período são super pesados, e eu percebo que não poderia viver com eles. Ninguém deveria.

Mas outra coisa que me ocorre é quanto estou melhor hoje. Ainda luto com a ansiedade, e ainda tenho dias bem cinzas. Mas nada a se comparar com aquela época. Hoje estou feliz de novo.

Aqueles foram os anos da desilusão. Já 2018, foi para sarar. Me permiti jogar fora o que um dia foi um tesouro, mas já não tinha valor ou sentido para mim. Tudo o que havia criado o inferno dos meses anteriores. Fiz terapia, o que me trouxe a recuperação emocional de três anos em um. (Recomendo.) Foi o ano da desconstrução.

Aprendi que desconstruir não é um fim. É uma etapa. 2019 foi o ano da reconstrução. A Teoria da Dinâmica em Espiral explica que, quando passamos de um estágio do desenvolvimento da nossa consciência para outro, o que devemos fazer não é descartar tudo o que tinha importância até o momento. Isso nem é possível. O que se faz é transcender e incluir. Você supera valores que enxerga que podem ser melhorados e inclui, no seu novo estágio, o que aprendeu em estágios anteriores e ainda é saudável.

Seria fácil dizer que é melhor andar que engatinhar. Mas também seria simplista. Depende da fase da vida. Para um bebê, engatinhar não é só importante, como indispensável para que caminhar seja possível mais tarde. De certa maneira, todos nós superamos a necessidade de engatinhar, mas só desfilamos por aí hoje porque antes aprendemos a nos mover de quatro. E ainda sabemos fazer isso caso seja necessário em algum momento. Para interagir com uma criança que só sabe engatinhar, por exemplo.

É a vida. Conforme crescemos, aprendemos a demonizar menos o passado e a pessoa que fomos, as escolhas que fizemos, e a dor que nos causaram. Passamos a repetir “Não me arrependo de nada, porque meus erros também me trouxeram até aqui e minhas dores formaram a pessoa que hoje me orgulho de ser”. E isso deixa de ser só uma frase bonitinha na legenda do Instagram.

Ainda tenho muita coisa a des/reconstruir. E estou aceitando que sempre terei. Porque a rejeição do crescimento e da mudança tornam sua ocasião e inevitabilidade mais dolorosas do que precisam ser. Aceitar o momento em que estamos e que ele não durará não é desesperança nem relaxo. É maduro. É abandonar a obsessão pelo controle, que é um valor inatingível. É ser humilde ante Deus e o universo, ensinando ao ego que nada gira em torno dele, e que será melhor usar o desconforto para evoluir do que esperar que todas as forças cósmicas trabalhem pelo seu sossego. Até porque repouso é gostoso, mas não é evolução.

Tudo isso é para dizer que você deve ouvir seu coração. Deve respeitar sua dor ainda que todos tentem calá-la. Você deve levar sua saúde mental a sério. Você tem permissão para deixar tudo que já cansou e cuidar de si mesmo. Saiba que todas as coisas vão dar um jeito de se encaixar sem a sua ajuda. E, quanto ao tempo que você sente que perdeu ou que roubaram de você, a gente não está numa corrida e nenhum tempo é desperdiçado de verdade. Acredite: se isso não faz sentido agora, fará no futuro.

Todo esse sofrimento que enfrentei foi a porta para a fase em que estou hoje: a mais saudável da minha vida, que eu sei que antecede uma próxima ainda melhor. Sua dor é válida, mas seu sofrimento pode ser superado. Você consegue. Não vai durar para sempre. Continue corajoso.

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