Mudei de Deus

Um dia desses, contei que um amigo respondeu minha mensagem de aniversário de um jeito bem desagradável. “Que recado lindo! Não concordo com muita coisa que você prega, mas obrigado!” Super nada a ver. Mas deixei de contar a parte mais importante do que ele escreveu.

“Às vezes, parece que você e eu acreditamos em deuses diferentes!”

Doeu.

Na mesma semana em que eu estava chateado com isso, um cara que tenho como meu mentor publicou no Instagram uma resposta que recebeu de um de seus seguidores. Era mais ou menos assim:

“Eu não sei que deus é esse de quem você fala, mas não é o meu Deus”.

Eu me senti consolado. Tinha passado dias me perguntando como meu amigo imaginava que era o meu deus. Mas esses eventos caíram como uma luva para uma percepção que vinha crescendo em mim por toda a minha vida. A de que os cristãos creem em vários deuses como “o Deus”. Deuses que não parecem Jesus.

Esse é um motivo central das discussões entre os cristãos. Consideramos principalmente as diferentes interpretações bíblicas e linhas teológicas, mas elas próprias se sustentam em algo maior e mais problemático, que é o deus que imaginamos. A verdadeira questão secreta por trás do “não compartilho da mesma visão que você” é um paradigma frequentemente despercebido: “O Deus em que eu acredito não se encaixa à sua descrição”.

É muito difícil convencer os cristãos de que Deus Pai seja mesmo bom, amoroso, perdoador, gentil… Que Deus seja amor. Porque nós fomos doutrinados para crer no Deus da Vingança. Na Ira Divina. Em justiça punitiva.

A maioria esmagadora dos cristãos acredita que Deus, o Pai de Jesus, inundou o planeta inteiro, matando toda a raça humana afogada, com exceção de uma família desajustada. Depois se arrependeu. De afogar as pessoas, claro, mas não de matá-las. Afinal, quando os habitantes de Sodoma e Gomorra passaram dos limites mais tarde, Deus decidiu matar todo mundo queimado. Queimado. Com exceção da família do único cara justo da cidade, que se tornou um herói por oferecer suas filhas para tomar o lugar de forasteiros num estupro coletivo iminente.

Parece que Jesus morreu para salvar a humanidade e acabar com o castigo pelo pecado. Mas temporariamente. Afinal, ele mesmo vai mandar os que não aceitam seu amor para — surpresa — queimar eternamente no inferno.

Eu, junto a cada vez mais cristãos ao redor do mundo, me alegro por questionar a Bíblia, duvidar do inferno, e, sim, por acreditar num Deus diferente do deus evangélico latino-americano. Porque eu tenho esperança de que Deus realmente seja amor, realmente seja bom, e realmente se pareça com Jesus, como ele disse que era. Porque se Deus não for assim… Se Deus realmente é esse cara que se diz um santo, mas que na verdade é um sádico, então eu não sei se vale a pena segui-lo.

2 comentários

  1. Eu tenho certeza que vc é humano e que Deus está te usando porque tds nós temos uma estrada diferente e já estive em 1dos cultos seu e vc ja é diferente desde sempre e eu amo vc sua pais E sua irmã como um povo usado por Deus de uma forma diferente que eu amo

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