Para que tanta polêmica?

Recentemente tomei uma iniciativa pelo Instagram que chamei de Semana Jogo Limpo. Por cinco dias, falei abertamente sobre minhas crenças e comportamentos que não me excluem do Cristianismo, mas também não me permitem integrar o movimento evangélico.

Primeiramente, fiz isso por mim. Eu sei que meu público é majoritariamente evangélico e isso me fazia sentir uma pressão enorme. Era como se houvesse uma expectativa geral de eu me encaixar ao discurso do evangelicalismo, do qual eu precisava me desassociar publicamente pela minha própria paz de espírito.

Em segundo lugar, eu sentia que essa desassociação era necessária também pelo bem de quem me acompanha. Afinal, eu não sou o tipo de pessoa que tem prazer em incomodar os outros. Nunca fui chegado à ideia de que a gente precisa chocar para transmitir uma ideia. Não gosto nem de imaginar que em algum canto tem alguém pensando “O Mitch adora uma polêmica”. Pelo contrário; eu prefiro não amolar quem me segue. Prefiro que essas pessoas saibam o que esperar. No caso, o inesperado, e não um enlatado gospel.

Durante toda a minha vida dentro do movimento evangélico, encontrei pessoas que me desencorajavam de ser franco e aberto. Como esperado, um ou outro seguidor se opuseram ao que andei fazendo no Instagram. Teve até um que esperou a semana toda pela última publicação Jogo Limpo para me enviar apenas um louvável comentário de uma só palavra: “Lamentável”. Quem não ama a típica gentileza evangélica?

Sinceramente, eu previ uma queda drástica no número dos meus seguidores. Estava em paz com isso. Seria seguido apenas por dez por cento de quem me seguia até o momento — apenas a minoria que não esperava que eu concordasse totalmente com eles e sua religião para ter interesse por mim e minhas ideias. Surpresa: meu número de seguidores aumentou.

Esse é o terceiro motivo de eu, na contracorrente, teimar em ser vulnerável, publicamente débil, aparentemente reclamão para alguns, infelizmente polêmico contra minha vontade. Tem sempre alguém que se identifica. Tem sempre mais pessoas do que nós imaginamos passando pelas mesmas aflições que a gente. E se sentindo tão sozinhas quanto nós nos sentimos quando começamos nossa jornada na contramão, seja ela qual for. Para essas pessoas, a simples sensação de saber que não estão malucas nem sós vale ouro. Meu pé na bunda do sistema me rendeu um monte de abraços, uma enxurrada de agradecimentos de pessoas que se sentiram libertas, curadas, refrigeradas pela minha lúcida maluquice.

Uma só dessas pessoas faria tudo valer a pena. Eu prefiro ser párea e tocar profundamente um coração a ser popular num sistema de fachada e tocar apenas a superfície de uma massa. Imagine como me senti sabendo que ajudei muito mais pessoas do que sonhava. Mal sabem elas que suas palavras de afirmação, gratidão e empatia surtem em mim o mesmo efeito que a Semana Jogo Limpo surtiu nelas. E isso vale a pena. Cristianismo precisa ser menos sobre certo e errado, e mais sobre conexões humanas significativas.

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