Vou escandalizar você

Eu vivi questionando a tradição evangélica anti-escândalo. Você sabe, nosso costume de se desdobrar em mil para jamais fazer qualquer coisa que choque nossos irmãos, que possa macular a imagem santa que fazem de nós ou sequer parecer pecado. Nosso famoso “evitar a aparência do mal”.

O motivo de eu nunca me dar bem com essa cultura é simples: quanto ela me oprimia. Sempre fui comprometido com minha autenticidade, e policiar cada gesto por conta do que os outros poderiam pensar estava me sufocando, comprometendo minha integridade.

Vivi submisso de qualquer maneira, anulando os traços mais superficiais e os mais definitivos da minha personalidade para assegurar que ninguém no mundo se escandalizasse por minha causa. Isso durou a maior parte da minha vida por apenas duas razões.

A primeira razão foi o vínculo que eu imaginava entre o Cristianismo e um posicionamento anti-escândalo. Acreditei piamente que ser cristão significava anular-se pelos outros, para que Cristo brilhasse em mim. Se você está na Igreja há tempo suficiente, tenho certeza de que já ouviu sermões que alimentam essa linha de pensamento. Mas existe uma grande diferença, que ninguém me explicou, entre recusar os caprichos do seu ego e assassinar sua personalidade. O Cristianismo é a favor do primeiro e oposto ao segundo.

A outra razão para eu me anular por tanto tempo foi acreditar quando me diziam que isso era bíblico. O Novo Testamento condena severamente quem escandaliza os outros. E nossas traduções da Bíblia realmente parecem nos aconselhar a evitar, a todo custo, a “aparência do mal”. Só não me contaram que o escândalo que Paulo e Jesus mencionam não tem nada a ver com assustar, incomodar as pessoas ou desfazer suas ilusões e expectativas sobre nós. E que “aparência do mal” é uma péssima tradução do que a Bíblia realmente diz, porque nem mesmo Jesus evitou a aparência do mal.

Precisaria de mais tempo para explicar tudo com detalhes, e pretendo fazê-lo em postagens futuras. Enquanto isso, quero apenas registrar que, à medida que fui me desvinculando da minha prisão social e religiosa anti-escândalo, fui também descobrindo uma vida mais leve, honesta, livre e feliz. Mais parecida com o que se espera de uma vida cristã. Como sempre digo, Jesus não anula nossa personalidade — ele a glorifica.

3 comentários

  1. Uau! Descreveu o que estou vivendo agora, experimentado liberdade de verdade e tentando aceitar minha verdadeira personalidade. Obrigada pelo post! Deus abençoe!

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