Você não odeia gente intolerante?

Há nove anos, quando comecei este blog, minha principal motivação foi uma insatisfação: a intolerância evangélica. Supõe-se que eu era muito tolerante na época. Ou que passar a última década tentando trabalhar na contramão tenha me feito crescer bastante nessa área.

É curiosa a capacidade do nosso ego de nos passar a perna. Na rebelião contra o desdém dos crentes pelos outros, eu aprendo a ter compaixão pelos segundos e a desdenhar os primeiros. Nenhum esforço intelectual da minha parte anula minha necessidade da graça — a única coisa capaz de me tornar realmente compassivo e justo.

Eu assisto com tristeza o modo como vítimas de violência se erguem violentamente pelo fim dos violentos. Como os que se dizem de esquerda se movem contra o radicalismo da suposta direita com a mesma medida de radicalidade. Enquanto os que se dizem direita combatem uma tal censura de esquerda com a mesma recusa ao diálogo.

Escrevendo em diversos canais sobre a intolerância evangélica, sou levado a admitir que me tornei intolerante com os crentes. Deixei minha paciência se esgotar. Porque superei em grande parte a cultura de tabu e exclusão da Igreja, sinto raiva do cristão que acredita sinceramente nos tabus e sou tentado a excluir os evangélicos da minha vida. Tenho que dar o braço a torcer a um amigo que me abordou da maneira errada me dizendo a coisa certa — mesmo que eu escreva por amor, deixei de fazê-lo com amor.

O meu desafio pessoal é não antagonizar pessoas, por mais que eu precise combater suas ideias. É amar o próprio fariseu que eu venha a desmascarar. Afinal, eu sou como ele. Do jeito que Paulo explica aos religiosos romanos: Vocês, que julgam, fazem as mesmas coisas.

Um livro que estou relendo vem me mantendo alerta há semanas para a seguinte realidade. Não existe cristão que não conheça o “Ame seu próximo”, mas a maioria de nós esquece um desafio mais difícil de Jesus, que torna o Cristianismo realmente diferente das demais religiões e fundamental para a cura do mundo. Jesus nos pediu para amar nossos inimigos.

Se sou de esquerda, abominar a política de direita não pode me impedir de amar quem se encontra nesse polo. Se abomino a Teologia da Prosperidade, não devo encontrar nisso justificativa para odiar os pastores dessa linha. Se combato a intolerância, devo amar o intolerante.

Nós gostamos de dizer que “Deus ama o pecador, mas abomina o pecado”. Geralmente, estamos justificando nossa mania de excluir quem tem um pecado diferente do nosso. Se esse paralelismo precisa ser parte do nosso discurso, talvez devesse ser invertido. Deus abomina o pecado, mas ama o pecador. Estaríamos justificando nossa insistência em amar e perdoar quem não concorda conosco.

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