O tobogã de 2018

Será que meu Cristianismo pode ser bom para mim antes de ser para qualquer outra pessoa?

Minha mente se divide em duas. Uma parte diz que a resposta é óbvia. Claro que Deus quer que minha religião me faça bem. Mas o outro lado da minha cabeça rebate. “Seu Cristianismo? Bom para você? Antes de ser para os outros? Tudo isso denuncia um pensamento carnal!”

Eu aprendi, como você deve ter aprendido, um Cristianismo preto no branco. Sem margens a interpretações e aplicações pessoais. Historicamente, essa religião nunca existiu. Nem mesmo na Bíblia, ela aparece. Mas quem sou eu para encontrar minha própria maneira de compreender e experimentar o Caminho? Era o que eu me perguntava, morrendo de medo de me tornar um herege ou me afastar de Deus.

Eu aprendi que Cristianismo é agradar aos outros. Que a virtude não tem nem pode ter nada a ver com meu próprio benefício. Sei que esse pensamento se origina na filosofia grega e que as cartas do Novo Testamento contradizem essa ideia até mesmo na vida de Cristo. Mas será que eu consigo gostar de mim a ponto de aceitar que minha religião me beneficie sem que isso me reduza a um egoísta e interesseiro? Acredito que Deus me ama a ponto de realmente querer meu bem?

Eu aprendi que Cristianismo é abnegação absoluta. Que eu devo viver para os outros, sempre colocando a necessidade e o capricho alheios acima das minhas prioridades pessoais. Eu sei por experiência que viver assim é humanamente impossível, e que a insistência em tentar alcançar esse padrão é esgotante e danosa física, psicológica, e espiritualmente. Sei que preciso amar meu próximo como a mim mesmo e isso não significará cuidar muito bem dos outros se eu não aprender a cuidar de mim. Mas será que eu acredito quando o Espírito Santo insiste, em meu coração, que deseja que eu seja feliz?

Essas perguntas são do tipo que muitos cristãos consideram perigoso. Mas eu sei que alguns de vocês que leem essas palavras se identificam totalmente. E eu encorajo você a continuar buscando respostas. Dúvidas e questionamentos não podem ser grandes o suficiente para fazer Deus perder a capacidade de guiar você.

Durante o ano de 2018, eu me concentrei de maneira especial nessas questões que apresentei agora, dentre outras. E descobri que o que muitos chamam de estrada escorregadia era, na verdade, um incrível tobogã. Na coragem de encarar meu medo de Deus, meu medo da Igreja e meu medo de mim mesmo que era o pior de todos , encontrei uma aventura que me levou a ser um cristão mais legítimo do que em toda a minha vida. E desejo o mesmo para você.

Boas festas, e um 2019 iluminado pela luz da verdade que liberta.

4 comentários

  1. Você não imagina a felicidade de entrar no seu blog e ter um texto recente. Quanto mais você põe pra fora o que tem aí dentro, mais admiração por você. Obrigada por deixar a gente acessar e se curar através das suas palavras ❤️

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