Steve Jobs nunca será meu herói

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Eu conheci quem tenha Steve Jobs como modelo em que se espelhar. Sem dúvida, Jobs é idolatrado mundialmente e, na minha opinião, é mesmo o ícone que corresponde à expectativa dessa geração.

Assisti há um bom tempo ao filme Jobs, que retrata como um rapaz com um pequeno escritório de garagem se tornou o homem por trás do iPod. Antes de escrever aqui, também li os comentários das pessoas que conheciam o Steve pessoalmente sobre outro filme que o retrata com a mesma personalidade, chamado Steve Jobs. E é claro que, levando em conta apenas o aspecto triunfalista da carreira dele nos negócios, a gente poderia dizer que esse foi um homem de sucesso. Mas calma lá.

Um dos motivos de eu ter querido ver o tal filme foi o modo como as pessoas falam do Jobs. O modo como um colega meu falava do cara. Me dava a impressão de que esse Steve era um exemplo de humanidade, um modelo de caráter masculino, um guru-inspiração para uma vida boa, plena e piedosa. Então me pergunto se alguém viu a mesma história do Jobs que eu vi.

Para as pessoas que viviam mais perto de Steve, ele era um cara com quem era difícil se relacionar. Não porque ele fosse mal compreendido ou um gênio, mas porque ele era, mesmo, um belo de um egocêntrico, arrogante e insensível.

Para chegar aonde chegou, Jobs pisou em pessoas, aplicou vinganças pessoais aqui e ali, tratou laços antigos e significativos como se tivessem valor de banana, e abandonou sua namorada por tê-la engravidado da garotinha que ele levou anos para admitir ser sua filha. Ele priorizou seu nome, suas ideias e seu trabalho acima dos seus amigos mais antigos e de qualquer vínculo humano.

É por isso que eu disse, no início, que Jobs só poderia ser aceito como um exemplo pela nossa geração. Porque estamos numa época de ceticismo em que o pensamento comercial se tornou guia das mentes mais comuns, mesmo fora do campo comercial.

A ideia de que para ser grande é preciso focar no dinheiro e na carreira e deixar os relacionamentos de lado, que era comum no mundo dos negócios, agora é comum para jovens de vinte e poucos anos ou menos, que nem sequer têm negócios. Adolescentes que acham o companheirismo uma ideia tão absurda e cafona quanto um CEO de uma grande empresa que “não tem tempo para mais nada”.

Quero dizer, as pessoas tratam cada aspecto da vida como um degrau de sua carreira, e só o que importa é o que “agrega” a seu futuro financeiro. Você pode ser um grande ser humano, mas será facilmente trocado por um ser humano medíocre ou pior se este aí “agregar” mais do que você. Isto é, amizades genuínas e desinteressadas são trocadas por pseudoamizades com pessoas mais populares nas redes sociais ou com mais dinheiro no bolso, com mais “contatos” ou “contatos melhores”.

Steve Jobs pode ser um referencial de criatividade, originalidade, ousadia comercial, empreendedorismo e coisas do tipo. Mas ele não pode ser o referencial de caráter que um cristão adota para si. Não pode ser o “ser humano mais incrível” a ser copiado por um discípulo de Jesus simplesmente porque teve grandes realizações. Existe enorme diferença entre ser um grande homem de negócios e ser um grande homem.

Talvez você não seja a pessoa mais extrovertida e sociável do mundo. Pode até não ser o tipo de gente que adora gente. Mas, se quiser mesmo ser discípulo de Jesus, precisa reconhecer que ele priorizou pessoas em seu ministério.

Pessoas eram tão importantes para Jesus, que ele pedia para comer em suas casas. Ele se dedicou a gastar seus dias na companhia de doze caras dia e noite, e cercado de multidões com quem conversar e que pudesse ajudar. Ele não procurou quem agregava – ele tentou agregar. Foi atrás do marginalizado, daquele que ninguém quereria seguir no instagram. Fugiu da fama e pediu várias vezes para não anunciarem abertamente as melhores coisas que ele fazia ou os aspectos mais impressionantes de sua identidade. Ele amou seus amigos até a morte – literalmente. E é por isso que Steve Jobs nunca vai ser meu herói.

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