Você sabe o que isso quer dizer?

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Palavras são poderosas. Por isso eu as levo muito a sério e estou sempre questionando o significado que elas têm e nossas tentativas de ressignificá-las.

Durante toda a vida, tive a chance de ver de perto a realidade de igrejas locais por todo o Brasil e em vários outros países, ouvindo pastores e fieis relatando problemas recorrentes. Posso assegurar que a comunidade evangélica padece gravemente por questões simplesmente conceituais. Muito sofrimento importante se resolveria se soubéssemos o que significam as palavras que usamos.

Quando tenho a oportunidade de ensinar, sempre me esforço para esclarecer temas comuns da vida cristã. Afinal eu cresci ouvindo inúmeros pregadores que me faziam sentir emocionado, mas que nunca respondiam às perguntas mais básicas que eu tinha sobre como viver uma vida piedosa no meu dia a dia.

Eu mesmo, em minha caminhada cristã pessoal, estive sempre atrás do sentido das coisas. Do que Jesus quis dizer. Do que Paulo quis dizer. Do que a Lei quis dizer. E meu testemunho é que a base sólida que Deus construiu sob os meus pés, sobre a qual me encontro firme hoje, se deve a muitos fatores, e dois dos mais importantes deles têm sido minha sede e busca por entender os aspectos mais elementares do discurso cristão.

Estou tentando explicar o quanto é importante para qualquer pessoa que quer crescer – e mais ainda para um cristão – ir além de ouvir palavras e passar a realmente compreendê-las. A própria fé, de acordo com Paulo, “vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo”. Ou seja, é preciso ir além das palavras e chegar a seu significado.

Considere o termo “vida eterna”. Que expressão poderia ser mais básica para um cristão quando esta é central no versículo que todos entendem como o resumo definitivo do Evangelho, João 3:16?

A interpretação imediata desse termo em nossa cultura é uma vida sem fim – um viver para sempre. Mas para Jesus, essa expressão não era primeiramente sobre longevidade ou imortalidade, e sim sobre conhecimento pessoal de Deus. Imagine a diferença que essa compreensão pode surtir na vida diária de um cristão!

Nós gastamos muito tempo discutindo sobre graça porque não sabemos a definição bíblica dela. Assim como poucos cristãos modernos podem dizer a diferença entre consagração, justificação e santificação. Todos termos elementares da caminhada evangélica diária. Como podemos nem saber nem ensinar o que isso tudo significa?!

Citar essas palavras pode parecer apenas um incentivo à teologia acadêmica ou coisa parecida, mas esse não é meu assunto aqui. Na verdade, um cristão que sabe distinguir entre essas três palavras que listei acima tem noção, no dia a dia, do que é responsabilidade dele, o que é dádiva de Deus, e o que é resultado de sua cooperação com o Espírito Santo. Isso não é essencial?

Estou querendo dizer que compreender as palavras que moldam a fé cristã não é para os teólogos nominais, para os pretensos bereanos modernos ou para os trolladores gospel. Entendê-las modifica sua caminhada diária. Interfere em seu relacionamento com Deus e com os outros. Pode ser chave para a redescoberta de sua identidade e missão. Pode libertar você e levar a descanso.

Encare o desafio da Bíblia e tenha sede por entender o que Deus quer dizer quando fala. A vida é mais abundante para quem se faz as perguntas difíceis.

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