Minha igreja não tinha amor

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Falam tanto de amor naquela igreja… Mas, quando eu saí, ninguém veio atrás de mim”. Uau. Essa tal igreja deve ser péssima, não é mesmo? E puxa, pobrezinha dessa pessoa!

Você já soube de um cristão alegando algo assim? Eu soube de vários. Como quem cresceu numa igreja local saudável e esteve envolvido com crentes a vida toda, deixe-me contar a história de um monte de gente que diz “ninguém veio atrás de mim”.

André chegou à nossa igreja depois de abandonar sua antiga denominação. Ele me contou que foi explorado pela liderança daquela comunidade, que não encontrou ali o suporte que esperava dos irmãos, e que precisava muito ser restaurado. Disse que via em nós tudo o que esperava de uma igreja local.

Demorou para se encaixar. Estava muito ferido e por isso não queria se envolver com nenhum trabalho voluntário em nossa casa. Respeitamos seu tempo.

Enquanto ele não se engajava, os pastores ofereceram aconselhamento. Horas e horas de aconselhamento e oração, mesmo madrugadas adentro. De graça, claro.

Ano passado, quando André precisou mudar de casa, não contratou nenhuma empresa de mudanças. Os amigos que ele tinha na igreja o ajudaram a transportar sua mobília e até fizeram uma festa surpresa cheia de presentes para o apartamento novo.

Depois de um ano com a gente, André finalmente cedeu às ofertas dos pastores para colocar seus dons em uso. Ele não era o mais assíduo nem o mais cooperativo, mas a liderança achava importante dar espaço para André fazer aquilo que lhe trazia satisfação, e foi assim que ele se tornou contrabaixista na nossa igreja.

Durante os dois anos que esteve com a gente, André recebeu aulas de música gratuitas. A autoestima dele melhorou, ele cresceu profissionalmente, e progrediu em seus relacionamentos familiares. Lembro de quando ele disse publicamente, numa reunião de domingo, que isso tudo foi graças ao que aprendia com a gente.

Mas é aqui que o cenário começa a mudar. Por acidente, um segredinho sujo de André foi descoberto por um de seus amigos, Carlos, que não sabia como ajudar, mas ofereceu empatia e o encorajou a conversar com um dos pastores para obter auxílio mais eficaz.

O problema era persistente. O pastor que André procurou sempre ofereceu todo tipo de suporte. Carlos também tentava ajudar como podia. Mas sempre que prestava contas, André confessava que não tinha seguido nenhum conselho que recebia dos pastores ou do amigo. Não demorou e André passou a comparecer cada vez menos às atividades da igreja.

Muita gente dentro e fora da liderança telefonou e mandou mensagens várias vezes, mas ele não respondia. O seu pastor mais próximo o visitou em seu apartamento, e foi aí que André contou que estava com vergonha de aparecer porque ainda não havia resolvido seu problema. Aliás, o fato de não tê-lo superado fazia sua fé esmorecer, ele confessou, e já pensava em deixar a igreja. Mas, com a presença e a oração do pastor em sua casa, prometeu ir à nossa reunião no domingo seguinte.

André não apareceu. Nem naquele domingo nem nos próximos. Continuou ignorando nossos telefonemas e mensagens. Foi por acaso que descobrimos que ele havia saído da nossa igreja. Ele nunca se despediu. Nunca agradeceu por nada nem disse adeus.

Depois dos meses de silêncio e da descoberta acidental de que ele fala mal de nós, resolvemos respeitar sua decisão de nos descartar, enquanto nos perguntamos: Afinal, quem é que não tem amor?

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