Posso ou não posso: a fala do crente imaturo

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Os cristãos têm perguntas sinceras para seus líderes. Raramente é algo do tipo “Como posso ouvir mais claramente a voz do Espírito Santo?” ou “O que significa, na prática, viver em adoração?”. Normalmente, as perguntas se parecem com “Posso fazer isso ou não?”.

Quando crentes se preocupam menos com amor prático e mais com a possibilidade de descumprir regras, podemos ter certeza de que somos muito imaturos no Evangelho.

De acordo com a primeira carta de João, o pecado é a transgressão da Lei. Na comunidade cristã, existe ainda muita ênfase sobre a Lei, e isso cria entre os fiéis um clima de medo. Medo de pecar. De fazer o que é proibido. Porque ninguém aprendeu o que é a vida eterna, mas todos sabem muito bem que o salário do pecado é a morte. Essa cultura produz fiéis que priorizam o pecado, e não Jesus.

John Owen disse o seguinte: “Não se é um crente verdadeiro até que seu pecado não seja seu maior fardo, pesar, e problema”. Se Owen tem razão, a maioria dos evangélicos que conhecemos não são verdadeiros crentes.

Quantas vezes você escutou alguém ensinar que “foi para a liberdade que Cristo nos libertou”? Os mesmos pastores que ensinam isso também querem dizer o que não podemos fazer. Que liberdade é essa?

Sempre ouvimos a citação paulina “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” apenas como uma ferramenta para proibir as pessoas de fazer algo que uma comunidade, cultura ou líder achem inconveniente. “Posso fazer isso, pastor?” – um crente pergunta. E o líder responde “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém. Não pode, não”.

Usamos esse versículo para ensinar o oposto do que realmente está escrito. E ainda não encontrei alguém com a coragem de declarar o óbvio, o que o versículo realmente está dizendo: como cristão, eu posso fazer tudo!

Depois dessa declaração, Paulo diz poder todas as coisas, mas que nem tudo é edificante. O que guia os cristãos do Novo Testamento não é mais a Lei. O motivo de eles fazerem ou não certa coisa não é o que dizem “as regras”, e sim uma escolha diante do que é ou não conveniente e edificante para eles. Não se trata de lei, mas do coração.

Verdadeiros cristãos receberam um novo coração capaz de odiar o mal e amar o bem. Esse tipo de pessoa transcende a Lei. Quem precisa da Lei é quem tem um coração incapaz de escolher por conta própria como agir diante de Deus e das pessoas porque não conhece o caminho do Espírito: o amor. Paulo explica claramente que caminhar baseado na Lei depois da obra de Cristo é um comportamento carnal, e que as pessoas que andam no Espírito sabem que o mediador de nossas decisões deve ser o amor, e não as regras.

Quem vai dizer o que convém a um cristão específico e o que não convém? Quem vai determinar o que edifica e o que não edifica? Se alguém faz isso por mim, eu não sou livre coisa nenhuma. Mas nós aceitamos que nossos pastores nos digam o que podemos e não podemos fazer, porque assim não precisamos amadurecer no caminho do amor. Basta seguir o manual local, e nos sentimos confortáveis em nossa ideia de consciência limpa. Isto é o oposto da vida na graça. É o oposto de aceitar Jesus como seu salvador. De acordo com Paulo, viver assim é negar a graça e escolher um caminho que só produz pecado e morte.

Esse tema parece profundo e, para a maioria evangélica, também pode parecer novidade. Mas estou falando de coisas elementares, claramente expostas no Novo Testamento. Só pensamos que isso é revolucionário por dois motivos. Primeiro, porque nossos líderes nos ensinam errado. Segundo, porque não estudamos as Escrituras pessoalmente.

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