A chave para a popularidade

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Em São Paulo, dois adolescentes estudam na mesma turma do oitavo ano, num colégio particular. Deixe-me contar um pouco sobre Lucas e Diego.

Lucas cresceu num lar cristão e foi muito bem educado pelos seus pais. Ele é um garoto bom, cheio de compaixão, e carinhoso. Tem o costume de ver o melhor nas pessoas e situações, motivo para sua fama de menino ingênuo.

Diego é o oposto de Lucas. Não para quieto, não respeita os colegas nem os professores, fala alto, e é agressivo.

Lucas não tem muitos amigos. Com certeza, quem o conhece de perto só tem elogios. Dizem que é o garoto mais amável de sua sala. Mas justamente por ser assim, sofre bullying. Quando insultado, não revida. Nas festinhas dos outros alunos, nunca se envolve com as experiências precoces que todos acham normais, e isso lhe garante o rótulo de “esquisito”. Lucas coleciona apelidos que questionam sua masculinidade, sua força, e sua capacidade. Ninguém em toda a escola diria que quer ser como ele.

Diego é o garoto que você sempre encontra rodeado por outros, se gabando aos palavrões enquanto conta alguma história. Mesmo que seja mentira. Apesar de tão novo, já sabe manipular pessoas, intimidá-las, e não tem medo de brigar. Construiu uma fama de conquistador e rebelde, o que deixa tanto as garotas quanto os garotos interessados em sua amizade. Todos querem ser como ele.

Você não acha que há algo errado com centenas de adolescentes que reprimem um bom garoto e celebram um menino malvado? Não causa certa náusea que a chave para a popularidade costume ser a maldade? Bem, a história que eu acabei de contar nasceu quando imaginei como seria se Jesus e Satanás fossem alunos de carne e osso na mesma escola – os meninos Lucas e Diego, respectivamente. E imaginei a comunidade evangélica brasileira como uma escola que não sabe que os garotos têm identidades secretas. Todos se sentem mais atraídos por Diego.

Em nossa realidade generalizada, pastores piedosos e dedicados se desdobram para driblar a constante rebeldia e apatia de seus pequenos rebanhos. Pastores dominadores e antissociais pisoteiam rebanhos numerosos, que enchem templos suntuosos em obediência cega e lealdade incondicional.

Em termos gerais, os evangélicos respeitam mais os pastores mal educados e arrogantes do que os humildes e mansos. Nisso, somos iguais aos ímpios, que se deixam levar por aparências.

Os evangélicos do Brasil criam tribos dentro da tribo. Você é sempre bem-vindo, desde que se pareça com eles.

No nosso mundo evangélico, “Batalha Espiritual” vende mais que “Príncipe da Paz”. O clube “Como influenciar pessoas” tem uma fila de adesão quilométrica, enquanto a barraquinha onde se ensina a servir continua deserta. Escreva um livro místico sobre demônios e torne-se um recordista de vendas. Escreva um livreto prático ensinando a ser íntimo de Deus e seja seu único leitor.

Se a maldade é chave para a popularidade na comunidade evangélica, ela não difere do mundo. E se ela não difere do mundo, está lotada de pessoas carnais. Uma maioria que nunca nasceu de novo ou que deixou de praticar o Evangelho há muito tempo.

Para você, quem é mais atraente – Lucas ou Diego?

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