Queridos crentes revolucionários

FullSizeRender.jpg

Se você me acompanha no Instagram, me viu dizer que a Igreja evangélica brasileira não luta por almas, luta por causas. Jon Foreman fala disso em 24, uma canção cuja última estrofe diz o seguinte.

“Eu quero ver milagres. Ver o mundo mudar. Eu lutei com o anjo por mais do que um nome. Por mais do que um sentimento. Por mais do que uma causa. Eu estou cantando: Espírito, me tome nos braços com você”.

Esses versos vieram à minha mente enquanto eu refletia sobre como os intitulados cristãos da nossa era se ocupam com causas.

Talvez o ativismo religioso nos dê a impressão de sermos mais santos, coisa que talvez todos os cristãos tenham desejado ser em algum momento. Mas será que esse sentimento é legítimo?

A manifestação prática da santidade cresce à medida que descobrimos a extensão da natureza de Cristo e de sua obra e passamos a crer nisso. Com o crescimento dessa manifestação em nós, nossa tendência natural é um coração cada vez mais ocupado com coisas eternas e menos com as passageiras. A busca constante por causas a defender em nome da religião evangélica não demonstra uma piedade verdadeira. Demonstra que estamos pouco ocupados com o que importa mais.

Sempre que um cristão sincero não estiver experimentando o conhecimento de Deus, ele sentirá falta de algo. Falta desse conhecer a Deus, que é um deleite em si mesmo, e da transformação pessoal que isso proporciona. Em condições assim, o crente tem a opção de retomar sua busca por Deus e a opção de buscar outra coisa de aparência espiritual, que lhe dê a sensação de estar fazendo o que um cristão deveria fazer.

Talvez seja nesse momento que tantos crentes se deixem tomar por debates e mais debates nas redes sociais. Discussões calorosas em blogs e em pessoa. E essas conversas intermináveis, que comprovadamente não chegam a lugar algum em sua maioria esmagadora, são frequentemente chamadas de defesas da fé, exortações em amor, e críticas construtivas. São tratadas como um comportamento espiritual de gente santa. Mas não são nada disso, quase sempre.

Tylor Standley disse em seu blog que, por muitos anos, o que seus irmãos diziam ser a verdade dita a ele em amor não transmitia uma sensação muito amorosa. Isso me remete a um lema de Heidi Baker: Love looks like something. Em português, seria algo assim: “O amor tem uma aparência”.

De que valem nossas discussões chamadas teológicas ou espirituais se a aparência delas for de arrogância? De que vale nosso ativismo sócio-religioso se ele tiver a aparência do ódio? Paulo diria que o valor disso é o de um sino que retine. Nenhum.

Acreditamos mesmo que estamos fazendo a Obra do Senhor ao nos portarmos sem amor? E fazemos mais do que isso. Subestimamos o valor do amor na vida cristã. Damos mais valor à exatidão dos nossos argumentos e, simplesmente, a comprovar que temos razão. Como se o mundo aguardasse com ardente expectativa a manifestação dos cabeças-duras e dos intolerantes. Como se a manifestação dos sabe-tudo fosse encher a terra da glória de Deus.

O desafio para todos nós é levar a mensagem do amor a sério. Vivê-la. Acreditar que o amor de Deus é a solução. Não um amor nominal. Um amor experimentado e estendido. É disso que se trata a vida cristã acima de tudo, e não de uma ou várias causas a defender. “Eu estou cantando: Espírito, me tome nos braços com você”. E use-me para ajudar outros a chegar aqui.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s