De onde vem tanta regra na igreja?

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Apesar de o Evangelho pregar liberdade, a comunidade cristã está lotada de regras de comportamento. Quanto mais eu conheço igrejas, mais listas de proibições descubro. E não estou falando de denominações tradicionais. Mesmo em igrejas modernas, certos tipos de música são proibidos. Muitas denominações determinam como obrigatórios sistemas de namoro que não são, de verdade, namoro. E, para meu choque, descobri recentemente que algumas igrejas proíbem cortes de cabelo específicos. De onde vem isso?

Se você perguntar à maioria dos pastores, eles dirão que essas regras vêm da Bíblia. Na melhor das hipóteses, se você pedir uma explicação, vão levar você a uma jornada pelo Antigo Testamento, abordando a Lei Mosaica. Aquela mesma Lei que Paulo diz repetidamente que não deve mais reger nossas vidas.

Na maioria das vezes, aos tentar explicar as razões para tantas regras na Igreja, nossos líderes simplesmente teorizaram sobre os assuntos em questão, e sobre como a origem das coisas supostamente determina que elas sejam inerentemente más, diabólicas e irrecuperáveis, uma ideia em grande parte proveniente da Idade Média. Mas isso tudo será baseado em experiências pessoais e não na Bíblia, a não ser que apareçam textos fora de contexto ou mal interpretados. De onde vêm, realmente, nossas tão diversas regras de comportamento na comunidade evangélica?

A resposta simples é esta: as regras vêm da cabeça dos pastores. Se eles acreditam que algo é errado, proíbem. Como se pastores tivessem autoridade delegada por Deus para determinar o que as pessoas podem ou não podem fazer.

Quando um pastor se sente responsável por assegurar a saúde espiritual do seu rebanho, mas não sabe como cumprir essa tarefa impossível por meios espirituais, ele usa métodos carnais. Simplificando, se um pastor não souber ensinar seu povo a andar no Espírito, vai tentar ensiná-lo a andar na lei. Não precisa nem ser a Lei de Moisés. Pode ser a lei dele mesmo, desde que todo mundo ande “na linha”. E, para justificar suas regras, ele usará alguns versículos bíblicos, sem nenhuma contextualização ou revelação da graça e da Nova Aliança.

Muitas vezes essa iniciativa parte de boas intenções. O líder quer apenas proteger seu rebanho da libertinagem e acaba se tornando obcecado por controle moral sem perceber, porque o fanatismo religioso sempre se disfarça de piedade. Esse líder não vai se dar conta de que oprime as pessoas, pois quer apenas o bem delas e foi ensinado a crer no poder do império da lei da maneira errada. Outras vezes, infelizmente, as regras nascem do desejo consciente do pastor de manipular seus seguidores, pois ele sabe como poderá controlar o dinheiro e o trabalho deles se puder controlar seu comportamento.

Estas verdades são delicadas, mas é preciso abordá-las de maneira direta e franca. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou, e Ele mesmo disse que a verdade nos libertará.

2 comentários

  1. Parabéns pelo texto. Estou conhecendo á pouco tempo a palavra de Deus, e embora os fieis da comunidade cristã que eu frequento serem mais modernos e embora as regras não sejam estampadas, vejo elas nas entrelinhas, em algumas palavras durante o culto e até mesmo em aconselhamentos no grupo familiar. Acredito que se tem fé, se está em cristo, deve-se seguir a palavra de Deus (Bíblia), mas acho a bíblia muito alto interpretável o que leva a alguns pastores se apropriarem da palavra da forma que eles interpretam e passam essa mensagem justamente para beneficio próprio. Quando passei a frequentar a igreja (Pouco tempo), me convenceram da seguinte forma: Não tem regras, não existe preconceito com mãe solteira, você pode continuar a viver sua vida da sua maneira. E sempre me passaram passagens da bíblia muito poética e encantadoras. Mas com o passar do tempo, quando eu fui ficando intima de Deus, conforme eu fortalecia meu vinculo com a igreja, a palavra passada já não era tão encantadora. Não digo que Deus não é encantador, é a forma que os lideres interpretam e nos passam a mensagem (Não são todos): Você tem livre-arbítrio, está na bíblia, porém está na bíblia que você não pode fazer milhões de coisas, e se você está em cristo tem que abrir mão dessas coisas… e se você não abre é o “capiroto” que está te influenciando. E não adianta… a igreja de certa forma, dá uma alienada, e o que ocorre ao meu ver é o fiel se sentir culpado por algumas ações. Ou seja, a igreja primeiro coloca na sua cabeça que determinada ação é errada, porém você como qualquer ser humano comete esses erros, se culpa, leva a culpa para o pastor e o pastor tira sua culpa desde que você não cometa mais, então você que não quer mais ter esse sentimento ruim, vive aprisionado, sem precisar. Essa é a minha reflexão e acredito que seja meu freio para me tornar cristã e não fanática.
    Eu virei cristã, mas sou totalmente contra essas regras que algumas igrejas impõe, cabelo comprido, saia loga, roupa sem decote, casamento arranjado, isso não faz da pessoa um ser de caráter integro.

    1. Aline, faz bastante tempo que você comentou e eu não tinha visto. Obrigado pela sua contribuição! Gostei muito. Estou feliz por você se tornar uma discípula de Jesus e por ter a coragem de buscar uma maneira de caminhar como tal da forma que funciona para você e para o Espírito Santo, e não meramente para seguir protocolos. Um abraço!

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