Você nunca exagerou a graça

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Em nossa cultura evangélica, existe um medo enraizado de extrapolar os “limites da graça”. Como se nós conhecêssemos algum.

A verdade é que sabemos pouco da graça. A maioria de nós, mesmo dentre os pastores, não sabe sequer uma definição bíblica para ela. Pensamos em “favor imerecido”, que não é heresia, mas que também não é, tecnicamente, uma definição bíblica.

É difícil ouvir sermões sobre a graça em nossas igrejas. E quando ela é introduzida, é a conta-gotas. Daí pode-se dizer que os únicos limites que conhecemos da graça são os que nós mesmos impomos a ela. “Deus é gracioso”, nós dizemos, “mas até a graça tem limite”. Sem querer, é isto que ensinamos: “Confie em Deus, mas não confie demais”.

O que se prega por aí é que “Tudo é pela graça, mas nada é de graça”. Nossa frase mais famosa sobre “favor imerecido” é um paradoxo, porque se nada é de graça, devemos pagar por tudo. E se devemos pagar por tudo, devemos pagar pela graça. E se é preciso pagar pela graça, então nada é por “favor imerecido”. Em síntese, se nada é de graça, nada é pela graça.

Nossa distância da compreensão da graça se evidencia pela popularização da bem intencionada definição “favor imerecido”. Essa expressão tem servido positivamente de certas maneiras, mas é extremamente problemática se observada friamente. Ela carrega a ideia que temos, como legalistas natos, de que favores se encaixam a um sistema meritocrático. É a mesma ideia que nos leva a dizer “Você me deve um favor”.

A expressão “favor imerecido” pressupõe a existência de favores merecidos. Ora, o que é merecido é salário, não é favor, como Paulo já alertou. “Favor imerecido” é um conceito que merece status entre redundância e aberração, porque não existe “favor merecido”. Favor é serviço gratuito.

Sabemos tão pouco da graça, que não temos sequer uma definição boa para ela que todos conheçam, o que é alarmante para uma comunidade chamada para ser salva e sustentada “por meio da graça”. E porque conhecemos tão pouco dela, temos medo de extrapolar seus “limites”, mesmo sem saber que limites são esses. E já que não sabemos quais são os limites da graça, se é que eles existem, nos forçamos sempre a “andar na linha” sem jamais voar. Não queremos abusar do favor de Deus, mas ninguém nos disse até onde ele se estende, e por isso preferimos ficar parados para evitar o risco de cruzar qualquer fronteira da bondade divina, relegados a uma vida de obrigação e mérito. Uma vida pesada e, em todos os sentidos, sem graça.

Será que você pode imaginar a graça melhor do que realmente é? Pode exagerar a bondade de Deus? Para isso, você precisaria ser muito bom. Teria que ser capaz de imaginar uma bondade maior do que a bondade que Deus pode imaginar.

O que a Bíblia diz é que a graça é melhor que a vida. Vamos falar de exagero, então. Melhor que a vida! Melhor que crescer, provar o amor, comer, abraçar, ver o pôr do sol, viajar, nadar no mar, beijar, ouvir música, ir ao cinema, fazer sexo, cantar, entrar em êxtase – melhor que a combinação disso tudo por todos os anos em que você viver. Vamos falar de exagero, então.

13 comentários

    1. Fico feliz de saber, Renato! Obrigado pela visita. E semana que vem a gente vê aqui uma definição bíblica da graça. Um abraço!

  1. Sem dúvida mais um belo texto mano. Nós e a mania que temos de limitar a Deus. Tanto em poder quanto em Graça. Q o Espírito Santo nos ajude…

    1. Amém, Wesley! Brigado pelo comentário. Na próxima semana, a gente vê uma definição bíblica de graça. ;)

  2. Siiiim!!! Quero essa realidade viva no meu coração e na minha caminhada. Parabéns! Perfeito como sempre.

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