Como ser você mesmo

Esta semana, pensando sobre o tema da identidade, lembrei da canção Inner Peace, do Jon Foreman. O refrão dela inquire:

“Como podemos ser nós mesmos se não sabemos quem somos?”

Com um pouco de reflexão, essa pergunta se desdobra. Como podemos saber quem somos? Não tenho a pretensão de responder, mas acredito que posso dar uma dica.

Na minha série verde no Instagram, contei um pouco da minha história. Resumidamente, meus pais sempre me disseram “Seja você mesmo”. E eu levei a sério. Pensava e pensava sobre o significado disso. “Ser eu mesmo… O que quer dizer? Existe outra opção?”

A combinação do meu autoquestionamento e da observação das pessoas à minha volta me levou a concluir que sim, havia outra opção. Em vez de “ser eu mesmo”, eu podia ser “outro” – um ser humano fabricado sob os padrões de um tipo de linha de produção invisível.

Muito jovem eu notei que era isso que a maioria das pessoas fazia. Elas abandonavam sua integridade para alcançar aceitação, moldando seu comportamento às expectativas dos outros.

É claro que, como criança, eu não poderia resumir meus pensamentos nessas palavras. Mas entendia o fenômeno que se repetia ao meu redor, e resolvi não me conformar. Eu não manipularia meu comportamento para projetar uma versão artificial e “mais aceitável” de mim.

Acabei descobrindo a espontaneidade, que logo passei a valorizar muito. Inclusive por ser tão rara.

Estamos cercados por regras não oficiais que se posicionam contra manifestações espontâneas. Não ria tão alto. Você já tem tantos anos de idade. O que vão pensar de você? Ainda é muito cedo para abraçar. Ninguém fala desse jeito. “Amor” é uma palavra muito forte. Quando nos apercebemos, estamos iguais à maioria das pessoas. Monocromáticos. Carregamos no coração um desespero silencioso que insiste: Este é mesmo você?

Obviamente, este texto não é sobre mim nem sugere que sou alguém bem resolvido. Mas, no que diz respeito à autenticidade que conquistei, posso assegurar algo. Ela sofreu interferência muito significativa do que vem naturalmente para as crianças e que o convívio social tenta sufocar conforme crescemos: a escolha de ser espontâneo. Eu decidi que nem posições, nem idade, nem títulos tirariam de mim o direito à espontaneidade.

Esta é a dica que posso deixar para ajudá-lo a descobrir quem você é. Sendo espontâneo, você vai ver o que sai de você sem antes passar pelas tesouras da expectativa alheia. Vai ver algo único, que não foi imitado, manipulado, falsificado. É pura verdade. É puro você.

4 comentários

    1. Certeza, mano! Dá trabalho e dói, mas dói menos do que ser uma farsa. Obrigado pela participação de sempre! :)

      1. Manoooooooooooo, como você escreveu uma coisa dessa, na boa !! Ual, e mil vezes ual (cara de assustado aqui), ao ler isso senti um enorme alívio e descanso dentro de mim por saber que não sou um extraterrestre..!! Por muito tempo me senti assim, completamente oprimido e sufocado com um padrão que a sociedade e as pessoas ao meu redor me colocavam. E de verdade quando posso ser Eu mesmo, por pra fora quem sou de verdade.. ual, isso traz liberdade, paz e Esperança. Esperança de ser diferente numa geração de iguais !

        Abraço, aquele mano da Bahia !

      2. Cara, é sempre muito bom ter algum contato com você! Obrigado por comentar! Fico muito feliz de saber que isso foi útil. Você é especial, mano! Um grande abraçoooo!

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