Por que sua vida não está tão boa

 

As notificações no smartphone não param. Quando silenciamos um aplicativo, recebemos um telefonema ou um e-mail. Parece que há sempre alguém precisando de nossa ajuda.

Quem nunca desejou que o dia tivesse mais de 24 horas? Entre trabalhar, cuidar dos assuntos domésticos, dar atenção à família, aos amigos, e ainda servir na igreja local, todos podemos ser sufocados por nossas inúmeras tarefas. A não ser que tomemos posição radical por nossas prioridades.

Eu sei que a própria palavra “prioridade” já desanima. É cultural. Ainda não conheci alguém que tenha prazer legítimo em organizar as coisas, por mais que todo mundo goste das coisas organizadas. Além disso, deixar a correria do dia a dia tomar conta do nosso tempo traz um enganoso senso de satisfação. Acompanhe meu raciocínio.

Sabe aqueles planos que você fez com alguém e não cumpriu “por causa da correria”? E aquelas coisas que você gostaria de ter feito, mas deixou de fazer “porque estava muito ocupado”? E ainda as coisas que você planejou secretamente para si mesmo ou até sonhou, mas que está “sem tempo para realizar”? Você já deve ter reparado que isso tudo poderia nos deixar muito desapontados, mas não deixa. Nós nos acostumamos a viver assim. Por quê?

Acontece que manter-se ocupado dá a sensação de responsabilidade. Pode ser que tenhamos cedido totalmente o controle do nosso tempo e da nossa vontade às tarefas que nos arrastaram como uma maré. Mas não nos importamos com o tempo perdido, porque ele foi perdido em trabalho. Então nos olhamos no espelho e pensamos “Que boa pessoa eu sou! Queria que os outros notassem como sou dedicado!”

Aonde nos leva essa satisfação com o trabalho pelo trabalho? A nos contentarmos com uma vida inferior à que realmente desejamos. Nós dizemos coisas como “Não foi um dia produtivo para mim, mas ao menos foi bom para a empresa”. Dizemos “Não pude me cuidar como deveria, mas ao menos ajudei alguém”.

Essas frases parecem inocentes e até nobres, mas são perigosas. Quando nossa mente percebe que fracassamos em administrar nossas vidas, ela tenta se justificar, simulando um efeito de recompensa. Assim, passa mais um dia. Mais uma semana. Mais um ano vivido “ao menos”, pois nos forçamos a aceitar que o menos é suficiente. Afinal, se estivermos contentes, não nos daremos o trabalho verdadeiro de assumir responsabilidade por nossas vidas.

Precisamos encarar que manter-se ocupado não é, necessariamente, uma atitude responsável. As pessoas podem se ocupar com todo tipo de coisas que roubem seu foco do que realmente é importante para elas. Pode ser um vício destrutivo. Ou pode ser um favor num momento inconveniente. Pode ser muito lazer ou trabalho demais. A questão é que, quando deixamos nosso mundo se responsabilizar por nosso tempo, nós mesmos deixamos de ser responsáveis. Parafraseando Michael Hyatt em seu livro Creating Your Personal Life Plan, lembre-se disso: Escolha as suas prioridades ou alguém vai escolher por você.

 

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