A confissão garante o perdão?

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 “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9).

O que preciso fazer para Deus me perdoar? Se alguém nos faz essa pergunta, provavelmente recorremos ao versículo acima. Nossa resposta automática é “Você precisa se confessar”, o que parece lógico, mas acarreta várias complicações.

O primeiro problema é a ideia de que o perdão de Deus está sujeito à nossa confissão. Não faz sentido. Por que Deus se negaria a nos perdoar até que nos confessássemos? Uma vez que Ele já sabe o que fizemos, estava ao nosso lado no momento da falha, e possui um amor imutável, essa regra não passaria de um capricho.

Isso nos leva ao segundo problema, que é a imagem que criamos do caráter de Deus. Não estamos dizendo simplesmente que Ele nos perdoa se nos confessamos, mas que Ele é fiel e justo se nos confessamos. Ao difundirmos uma interpretação errônea do versículo em questão, sugerimos que a fidelidade e a justiça de Deus estão sujeitas a nossas escolhas. Fica implícito que Ele não é sempre fiel e justo, mas que podemos convencê-lo a ser. Basta que nos confessemos. Em síntese, inclinar Deus a nosso favor não seria só possível, mas fácil.

Essa é a essência do legalismo: o barateamento dos princípios e dos valores espirituais. Nosso engano sobre confissão e perdão sustenta, então, o pensamento secreto que tanto repudiamos: “Vou pecar agora e me confesso depois. Primeiro, porque é fácil ser perdoado independentemente da gravidade aparente do meu pecado. Segundo, porque a bondade de Deus não está estendida a mim agora e não estará até que eu me confesse”.

Nenhum cristão sincero pensa dessa forma deliberadamente. Mas é provável que todos já tenham sido tentados a crer assim em uma ou várias ocasiões. Isso comprova o perigo de ensinarmos um texto fora de seu contexto. Por mais que as mentiras que observamos aqui não costumem ser  ensinadas formalmente, elas estão implícitas em muitos dos nossos ensinos, e acabam integrando nossa cultura de forma sutil. Se esse tipo de heresia fosse proferido abertamente, dificilmente enganaria um cristão sincero. Mas a estratégia mais comum e eficiente do sofisma é esconder-se em meio a verdades.

Deus escolheu nos perdoar antes de nos tornarmos capazes de confessar. Antes mesmo de pecarmos. Esta é a aliança que Ele propôs em Cristo: “Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais”. Isso demonstra como o caráter de Deus é bom para conosco independentemente da nossa escolha.

Sabemos, também, o salário do pecado, que custa muito. Por isso mesmo, o perdão dos nossos pecados não foi nada barato. Nós o recebemos por meio de uma única e valiosíssima coisa: o sangue derramado de Jesus.

[Photo: Ilona]

2 comentários

  1. Um outro aspecto é que não temos noção da dimensão da graça de D-s, assim acaba-se comparando ao modo terreno de perdoar esquecendo de que Ele está acima disso. Ótimo texto.

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