Seja como uma criança: cresça

hamadahideaki

Nos Evangelhos, Jesus diz que devemos ser como uma criança. Já em I Coríntios, Paulo dá uma bronca nos crentes por ainda serem como crianças em Cristo. Ao observar contextos tão diferentes, parece que encontramos um paradoxo. Como equilibrar a maturidade esperada da vida adulta e a pureza esperada da infância? A verdade é que Jesus e Paulo não estavam falando exatamente da mesma coisa.

A infância do espírito

O motivo de Jesus nos advertir a sermos como crianças é que “o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas”. Toda vez que o Reino é mencionado, estamos falando de coisas eternas. Então dentro desse contexto, Jesus não está falando de algo que é passageiro por natureza como a infantilidade; Ele está se referindo à nossa essência eterna, ao nosso espírito. É ali que está o anseio pela eternidade, e é ali que devemos “receber o Reino de Deus como uma criança”.

A manifestação da infância do espírito

Por que Jesus espera que recebamos o Reino assim? Por que crianças não recebem presentes com dúvida, soberba ou legalismo. Elas o fazem com simplicidade e gratidão. Isso se encaixa ao que Jesus ensina no quinto capítulo de Mateus: o Reino de Deus pertence aos pobres de espírito. Crianças têm um espírito pobre, no melhor dos sentidos – elas não se sentem detentoras ou merecedoras; elas apenas recebem tudo de seus pais num relacionamento de amor e confiança. A vida cristã legítima só pode ser vivida com essa mesma humildade, uma vez que tudo é pela graça mediante a fé.

A infância da alma

Paulo disse que não podia falar aos coríntios como espirituais, “mas como a carnais, como crianças em Cristo”. O termo carnais aqui é fundamental; ele explica a que tipo de crianças o apóstolo se referia. São aquelas que passaram recentemente pelo novo nascimento, ainda não cresceram no conhecimento de Cristo o bastante para terem seu comportamento mundano transformado num que corresponda à sua nova natureza. Não que os coríntios fossem assim tão ignorantes, mas estavam se comportando como se fossem. Paulo não estava falando do espírito deles, mas da carne.

A manifestação da infância da alma

Logo depois de chamar os coríntios de infantis (com todo amor), o apóstolo explica o motivo: eles se comportavam como mundanos. A igreja deles estava sob a influência de inveja e divisões. C. S. Lewis disse que “é a comparação que torna uma pessoa orgulhosa”. Então, a atitude dos coríntios aqui não tem nada a ver com o espírito simples de uma criança. Esse é o fruto de uma mente que abandonou a humildade e começou a se comparar com os outros, querendo ser superior. O resultado dessa mentalidade foi um comportamento infantil, para não dizer pecaminoso.

Um coração infantil, uma alma madura

É assim que resolvemos nosso aparente impasse. Paulo diz, em Romanos, que somos transformados pela renovação do nosso entendimento, e que isso nos leva a parar de agir como o mundo. Aqui vemos o amadurecimento da alma, a carne sofrendo a interferência do poder do conhecimento de Cristo. Mas adquirir esse conhecimento progressivamente só é possível para quem segue a instrução de Jesus e mantém um coração eternamente humilde, um espírito tão aberto a novos conhecimentos e desafios como o de uma criança.

[Photo: Hideaki Hamada]

5 comentários

  1. Glórias a Deus pela revelação. Que o Senhor siga te usando neste tempo para o cumprimento do propósito dEle. Abraços! :)

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