Amor (parte 1)

Suando. Desesperado.

Tinha se isolado em seu escritório frio. Só os últimos raios de sol do dia iluminavam parcamente os móveis de madeira daquela sala.

Ele buscava raciocinar, contra todas as vozes em sua cabeça, que gritavam, que o perturbavam.

Elas sempre estiveram ali, durante os últimos anos. Sempre o fizeram sentir sufocado. Nesse dia, porém, seu ataque era muito mais ferrenho, muito mais cruel e esmagador.

A culpa pesava sobre os seus ombros como o mundo todo. Tudo o que ele havia construído estava desmoronando.

Num momento de confusão nunca antes experimentada, as vozes que sempre o guiaram se confundiam. Enquanto umas gritavam em louvor e aprovação, outras o vituperavam e humilhavam. A mensagem paradoxal era que ele tinha feito tudo correto, tinha sido excepcional no cumprimento da missão encaminhada por suas vozes guias. Por isso mesmo, elas o consideravam um fracassado.

Perdido no meio de um tufão emocional, ele queria sumir. Queria que o mundo parasse, que tudo fizesse silêncio. No auge de sua loucura, e vendo que a tempestade só piorava, quis se matar.

Ajoelhou-se no meio da sala, esgotando todas as possibilidades de fuga em que conseguia pensar. Diante do revólver que jazia no chão, apertava o rosto com as mãos. A morte era iminente. Ele podia sentir. Seria pelas mãos de seus inimigos, por aqueles que falavam em sua mente ou por suas próprias mãos.

Foi quando uma luz brilhou dentro da sala. Mesmo de olhos fechados, ele pôde percebê-la. Foi como se um vento tivesse soprado de leve e arrastado toda a sua guerra psicológica para longe. O silêncio tão desejado tinha surgido como que por resposta a uma oração. E a luz, que parecia traspassar sua pele, trazia paz. Receoso, decidiu abrir os olhos aos poucos.

Diante dele, esperando pacientemente, um anjo. Forte, de semblante doce, tinha o olhar de um amigo. Ele iluminava tudo num raio de um metro, como um vaga-lume num jardim banhado pelo orvalho.

A respiração do homem foi se estabilizando enquanto ele encarava, incrédulo, o anjo.

“Então, é isso? Cheguei ao ápice de minha loucura?”, pensava. Quando abriu a boca para verbalizar sua dúvida, antes que conseguisse produzir algum som, o anjo falou.

– Não tenha medo. Eu vim te ajudar.

7 comentários

  1. =D Hihihih… Sabia! Q ia ter suspense!!
    Rs… Vamos para as cenas dos próximos capítulos…
    8D

  2. Que história emocionante ^^

    Muito legal, cativa e deixa curiosidade ao leitores.
    Ainda bem que eu já li o final ( pena que eu não li do começo, tô parecendo japonês que lê de trás para frente rsrs )

    Muito bom! =]

    Shalom

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